O uso de veículos de tração animal no Brasil

Enviada em 07/08/2021

“Talvez por ignorância ou maldade das piores, furaram os olhos do assum preto para ele, assim, cantar melhor”. Nesse trecho da música “Assum Preto”, de 1950, do cantor Luiz Gonzaga, evidencia-se, mesmo após sete décadas, a falta de empatia humana com outros seres vivos — algo que ainda é super atual. Nesse sentido, por razões culturais e por uma educação deficitária, emerge um grave problema: o uso de veículos de tração animal no Brasil.

Diante desse cenário, vale destacar que os reflexos de um passado marcado pelo uso de outras espécies para satisfação dos seres humanos é algo que corrobora o tema. Sob esse ângulo, consoante a filósofa Hannah Arendt, o pior mal é aquele visto como algo cotidiano. À vista disso, ao observar que, desde que o homem começou a praticar a agricultura — na Pré-História —, nota-se que a utilização dos animais para satisfação pessoal se tornou comum e, desde então, o surgimento de, por exemplo, carroças e charretes veio à tona. No entanto, apesar de facilitar a locomoção das pessoas, uma possível indiferença acerca da saúde do animal nessa situação também é realidade, já que não é raro, ainda no século XXI, deparar-se com cavalos ou mulas sendo chicoteados por seus donos para garantir maior velocidade no transporte. Assim, um possível caminho para melhorar a qualidade de vida desses seres indefesos é denunciar um dos principais empecilhos de Arendt: a banalidade do mal.

Ademais, é importante salientar que a educação nacional se mostra indiferente perante essa causa. Nesse viés, conforme Immanuel Kant, o homem tem seu intelecto formado de acordo com o que lhe é ensinado. Sob essa lógica, se há um obstáculo social, há uma lacuna educacional. Sendo assim, no que tange aos maus-tratos aos animais, percebe-se que a escola não cumpre o seu papel no sentido de prevenir e reverter os impasses coletivos, já que nunca abordou — e ainda não aborda — esse tipo de conteúdo nas salas de aula, o que cria uma estigmatização acerca dos veículos de tração animal. Logo, para mudar essa situação calamitosa, deve-se usar o raciocínio de Kant: fazer o homem crescer intelectualmente a partir de um ensino de qualidade, o qual o ensinará a respeitar tudo o que é vivo.

Infere-se, portanto, que a mídia precisa desenvolver campanhas virtuais, as quais evidencie o sofrimento desses seres, por meio das redes sociais, como o Instagram, a fim de evitar que uma cultura voltada à tortura continue a existir no Brasil. Por sua vez, o Ministério da Educação, enquanto regulador das práticas educacionais do país, deve oferecer um ensino melhor, por intermédio da adição de uma nova matéria na grade escolar, a qual abordará sobre os principais problemas atuais, como o fardo de muitos equinos que servem de transporte, a fim de engajar as novas gerações na luta por justiça. Dessa forma, espera-se extinguir situações similares a do infeliz assum preto em todo o território brasileiro.