O uso de veículos de tração animal no Brasil
Enviada em 18/08/2021
O romance filosófico “Utopia” - criado pelo escritor inglês Thomas Morus no século XVI - retrata uma civilização perfeita e idealizada, na qual a engrenagem social é altamente segura e desprovida de conflitos e problemas. Tal obra fictícia, mostra-se distante da realidade contemporânea no tocante ao uso de veículos de tração animal no Brasil. Esse panorama lamentável ocorre não só em razão do preconceito dos trabalhadores que utilizam desse meio de transporte, mas também do desrespeito aos animais. Desse modo, torna-se fundamental a análise dessa conjuntura para reverter esse quadro.
Em primeiro plano, é notório que os veículos de tração animal são utilizados por pessoas originalmente rurais e que possuem uma renda, bruta e anual, insuficiente para adquirir outro tipo de locomoção. Comprova-se isso pelo fato de apenas uma em cada seis famílias rurais possuírem um veículo movido à queima de combustível (carro, caminhão ou moto), de acordo com a Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa (Abep). Soma-se a isso, de acordo com o IBGE, cerca de 77% da população rural brasileira trabalha com a agricultura de subsistência que se caracteriza por métodos de de plantio tradicionais e o escambo feito com outras famílias que moram mais próximas, o que, como resultado, possuem uma remuneração muito baixa.
Em segundo plano, a carência de fiscalização contra o desrespeito aos animais, apresenta-se como outro desafio da problemática. De acordo com Charles Robert Darwin, “não há diferenças fundamentais entre o homem e os animais nas suas faculdades mentais, os animais, como os homens, demonstram sentir prazer, dor, felicidade e sofrimento”. Tal conceito abordado é materializado no Brasil, haja visto que a exposição dos animais ao sol sem água e ao perigo das vias públicas, traz, consequentemente, a violação dos direitos dos animais. Logo, tudo isso retarda a resolução do uso de veículos de tração animal no Brasil, já que o desrespeito aos animais contribui para a perpetuação desse quadro deletério.
Fica claro, dessa forma, que o governo juntamente com empresas automotivas nacionais devem conceder aos trabalhadores rurais, com renda inferior a um salário mínimo, incentivos de compra de automóveis com custos inferiores mediante à comprovação de renda. Paralelo a isso, o governo deve criar um órgão nacional de denúncia e defesa de maus-tratos e distribuir folhetos em locais públicos, com informações sobre o correto uso de tração aniamal como veículo e um número para denúncia em caso de violações. Dessa forma poder-se-á concretizar a “Utopia” de Morus na sociedade brasileira.