O uso de veículos de tração animal no Brasil

Enviada em 17/08/2021

De acordo com a obra “Brasil, País do Futuro”, escrita por Stefan Zweig, em 1941, há uma projeção progressista do que virá a ser o Brasil, traçando um desenho promissor de tempos de ouro. Entretanto, existe uma discrepância entre o que era esperado e o que foi entregue, tendo em vista as opiniões supérfluas acerca do uso do transporte feito por animais — uma discussão que requer mais propriedade, cuidado e empatia. Assim, é possível afirmar que não só a escassez de percepção da situação social em que o usuário de tal meio de locomoção se insere , mas também o discurso moral carregado de hipocrisia individual acerca dos maus tratos fomentam o status quo contemporâneo do século XXI.

Inicialmente, é necessário desfazer a compreensão de que a utilização de animais como tração não é uma vontade por parte dos usufruintes, mas sim uma necessidade. Por exemplo, da mesma forma em que na Segunda Guerra Mundial os Estados Unidos bombardearam cidades japonesas com intuito de acabar com as lutas — sem entrar em mérito se é válido ou não tal argumento —, muitos brasileiros que sequer desfrutam dos privilégios,  devido a grande falha na estrutura social do país, não possuem  alternativa locomotiva. A priori, fica evidente que é muito fácil julgar como errado uma situação desagradável sem proporcionar uma solução válida — afinal, uma caminhonete Chevrolet S10, com capacidade de carga de mais de uma tonelada,  serviria, mas não é uma opção pragmática.

Ademais, outro tópico importante a se discutir tange à questão do belo discurso de que animais não foram feitos para se submeterem às necessidades humanas. Por mais que seja desagradável contrariar tal oração, deve-se olhar de formar mais objetiva para os próprios hábitos, que vão do consumo de carnes para a manutenção da salubridade humana, até o uso de medicamentos cotidianos apoiados em experimentos com animais. A partir desse aspecto, novamene, é revoltante o panorama da manipulação de  seres vivos para o privilégio antrópico, porém é uma realidade quase irrestrita à vida humana.

Destarte, é dever do Estado, no âmbito de ministérios atuantes, em consonância com ONGs de cunho humanitário, realizar não só a conscientização populacional por meio de palestras educativas acerca da complexidade social por trás do transporte escolhido, mas também fornecer apoio locomotivo por intermédio de transporte público exclusivo para carregar utensílios dos que aproveitam da energia animal. Espera-se, com tudo isso, uma melhoria significativa na percepção populacional, na vida dos cargueiros e, não menos importante, na disposição dos seres tracionários.