O uso de veículos de tração animal no Brasil
Enviada em 14/10/2021
O período Neolítico da história foi marcado pela domesticação de animais, quando os nossos ancestrais, aos poucos, deixaram de ser caçadores e nômades para se estabelecerem em locais fixos - a participação do animal para o auxílio no campo e locomoção, sem dúvidas, foi um ponto decisivo na evolução da nossa espécie. No entanto, milênios seguintes, apesar da modernização de serviços antes realizados por animais, a exploração e o uso de veículos de tração animal ainda se manteve. No Brasil, isso decorre não só da ineficiência governamental, mas também das desigualdades socioeconômicas.
Nessa linha de raciocínio, uma postura negligente do governo, age como um catalisador para tal problemática. Dessa forma, é necessário entender que o uso de veículos de tração animal, no Brasil, ocorre de maneira descontrolada e independente, em plena cidade ou na zona rural, os animais são submetidos ao trabalho forçado, sob estresse, sem alimentação e suscetíveis as chibatadas, ou seja, são gravemente violados, humilhados e explorados. De acordo com a filósofa Hannah Arendt, o pior mal é aquele visto como corriqueiro e cotidiano. Sendo assim, a falta de uma fiscalização e padronização efetiva no combate aos maus tratos desse meio de locomoção, faz com que a sua exploração seja abusiva, cruel e desenfreada.
Além disso, no que tange o uso de veículos de tração animal, é válido pontuar acerca impacto socioeconômico negativo. Sendo assim, é necessário compreender que as dificuldades econômicas, às vezes, levam o sujeito a utilizar de tal meio para garantir o sustento, visto que o frete de mercadorias e cargas pode gerar lucros, sendo até a fonte principal de renda de determinadas pessoas. De acordo com pesquisa realizada pelo IBGE, o Brasil está entre os dez países mais desiguais do mundo. Dessa maneira, é imprescindível ponderar a respeito desse veículo de tração, encontrar um ponto de equilíbrio, porquê simplesmente proibir e abolir, pode retirar das pessoas uma importante, se não principal, fonte de renda e locomoção acessível.
Portanto, urge que o Governo Federal, crie um programa para o registro legal desses seres, bem como um grupo fiscalizador especializado, e, por meio de verbas governamentais, a destinação de um modesto auxílio aos proprietários desses veículos para os cuidados com alimentação e medicação dos animais registrados, a fim de mitigar os maus tratos e exploração abusiva no que tange o uso desse tipo de veículos de tração no Brasil.