O uso de veículos de tração animal no Brasil
Enviada em 31/10/2021
Em sua obra “Oliver Twist”, o escritor Charles Dickens expôs, a partir do tratamento desumano da personagem Sikes para com o seu cão, a realidade da exploração dos animais. Analogamente, esse mesmo cenário exploratório é observado no Brasil contemporâneo. Nesse sentido, destacam-se situações como o uso de veículos de tração animal em solo nacional, causado pela pobreza e pela deficiência de transportes públicos de qualidade. Assim, são prementes discussões acerca dessa questão, em nome da boa relação entre os seres vivos.
É lícito, em uma primeira análise, que a miséria é um alicerce do uso da força dos animais como via de transporte. Nesse viés, segundo a terceira lei de Newton, toda ação gera uma reação. Fora da física, essa mesma condição pode ser observada por meio da relação entre a pobreza e o uso de veículos baseados na atividade animal. Isso em razão da falta de condição financeira dos menos favorecidos pecuniariamente de adquirir veículos próprios, como os carros e as motocicletas, pois são itens de valores elevados e, ainda, de manutenção indispensável e igualmente cara, além de que não é comum a presença de lojas de automóveis em regiões suburbanas. Dessa forma, por conta da pobreza estabelecida no Brasil, são popularizadas situações em que os animais de tração são objetificados e, por conseguinte, tratados com descaso e violência.
Outrossim, é fato que a carência de transportes públicos constitui um estopim para a utilização da tração animal na locomoção. Nesse contexto, essa é uma técnica considerada rudimentar, a qual teve origem em uma época em que ainda não existiam meios automotivos de deslocamento. Dito isso, hodiernamente, a continuação desse meio está relacionado à dificuldade encontrada pela população, especialmente a mais carente, referente à mobilidade urbana. Isso porque os transportes públicos, como os ônibus, encontram-se, essencialmente, quebrados e vandalizados, como também não são suficientes para suprir a demanda de toda uma população. Desse modo, em razão dessa escassez, são comumente empregados os veículos puxados por animais no trânsito, o que é a causa de diversos acidentes, incluindo o atropelamento de tais bichos.
Depreende-se, portanto, que, no Brasil, alavancado pela pobreza e pela deficiência de transportes públicos de qualidade, há o significativo uso de veículos de tração animal. Logo, é basilar que o Ministério da Infraestrutura promova campanhas educativas, por meio de propagandas em redes de comunicação, sobre os malefícios causados aos animais que têm sua força explorada e orientações sobre como não abusar deles, com a finalidade de chamar a atenção do povo para a urgência de zelá-los. Assim sendo, atitudes como a de Sikes, de Dickens, perderão força na sociedade brasileira.