O uso de veículos de tração animal no Brasil

Enviada em 05/11/2021

Segundo a plataforma digital G1, um dos cantores da dupla sertaneja “Jorge e Matheus” fez uma promessa, na qual percorreria uma distância de mais de um dia à cavalo. Dito isso, é perceptível a ausência de empatia e de humanidade com os seres de quatro patas, os quais são usados para o transporte de pessoas. Nesse sentido, o cenário brasileiro ainda mostra crueldades diante dos animais, ao invés do ideal, que seria uma relação de parceria e cuidado. Observa-se, pois a premência de debates acerca da utilização de veículos de tração animal no país, com vistas a exercitar a ética e a compaixão.

A princípio, é relevante reiterar a rotina exaustiva dos animais usados como meio de transporte de cargas e pessoas. Sob esse prisma, de acordo com a obra do psicanalista Antonio Quinet, “Um olhar a mais”, a sociedade contemporânea é mediada pelo olhar. Nessa ótica, é visível a negligência e a frieza dos brasileiros ao sobrecarregarem seres vivos por longas distâncias e sem descanso. Nessa perspectiva, cavalos e éguas são desrespeitados e humilhados, tendo em vista que durante o cotidiano são agredidos, expostos a temperaturas super elevadas em frente à fome e sede. Além disso, os bichos são muitas vezes alugados por indivíduos que se ausentam de experiência e cuidado e que os forçam a trabalharem feitos “máquinas inquebráveis”. Dessa forma, no brasil, a realidade dos veículos de tração animal refletem o descaso e humilhação para com os seres de quatro patas.

Em segundo plano, é fato que o ideal seria uma relação harmônica de simbiose entre bichos e condutores, como uma troca de auxílio no transporte por cuidados supervisionados. Nesse viés, o filósofo Heráclito afirmou que não se é possível banhar-se no mesmo rio mais de uma vez, já que as águas não são mais as mesmas. Diante dessa premissa, são necessárias alterações no comportamento humano para que se estabeleça o equilíbrio social tanto para as pessoas quanto para os seres de quatro patas. Isso porque, é indispensável que os bichos sejam tratados como iguais, tendo em vista seus direitos firmados na constituição. Desse modo, a fiscalização e as penalidades para os transportes por meio de força animal são basilares para a concretização do respeito e dignidade dos bichos.

Infere-se, portanto, que o quadro do Brasil revela superexploração e descaso com os direitos animais, enquanto o fundamental seria relações alicerçadas ao respeito e zelo. Logo, é maiúsculo que o Governo Federal faça fiscalizações em empresas que ainda utilizam animais como sustento em veículos, por meio da disponibilização de grupos de profissionais especializados como veterinários com o objetivo de conscientizar os brasileiros dos cuidados a das condições submetidas aos animais de tração.