O uso do celular em sala de aula: ferramenta de aprendizagem ou de distração?

Enviada em 16/09/2021

Na série televisiva “The good doctor”, o jovem autista doutor Murphy enfrenta revés em se encaixar durante o período que estuda na residência médica. Não distante da ficção, hodiernamente, o ensino brasileiro sofre impasses no contexto da inclusão de crianças com necessidades especiais de aprendizagem. Tal conjuntura se dá devido à inércia governamental e ao falho papel da escola. Destarte, é fundamental discorrer sobre o assunto.

A priori, cabe ressaltar a negligente ação do Estado em não investir na adequação escolar ao público em questão. Segundo a Associação Brasileira do Déficit de Atenção, o Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) e a Dislexia acometem cerca de 5% das crianças, gerando impacto em sua vida estudantil. Com isso, nota-se que a falha do processo de ensino-aprendizagem, em razão do desmazelado exercício do poder público não destinando verbas para a contratação de uma equipe escolar multidisciplinar, corroborando em perpetuar a falha na detecção e intervenção precoce das crianças com essa condição, afetando assim, a adesão e o progresso desses discentes. Dessa forma, é inaceitável, em uma nação em desenvolvimento, a perpetuação desse problema.

Em segunda análise, é imperioso destacar a errônea conduta do setor educacional por não trabalhar com a comunidade escolar essa temática. De acordo com o filósofo Paulo Freire “se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda”. Isto posto, infere-se que a escassez de conhecimento, por parte dos indivíduos que compõem o ambiente pedagógico, em virtude da ausência de projetos e oficinas sobre crianças com distúrbios de aprendizagem, induz à dificuldade de inclusão, tendo em vista que alunos, professores e demais servidores cooperam para o acolhimento e agregação desses educandos. Sendo assim, é evidente a necessidade de mudança desse cenário.

Portanto, medidas atenuantes aos entraves supracitados são necessárias. Com isso, o governo, na figura do Ministério da Educação, por incentivos financeiros oriundos do tesouro nacional, deve realizar um projeto, o qul regulamente a contratação, para todas as escolas públicas do país, de uma equipe multidisciplinar composta por pelo menos um professor especialista em transtornos relacionados ao desempenho nos estudos, um pedagogo e um psicólogo, que além de prestar assistência a esse grupo, promova ações de amplitude do conhecimento dessa condição para todos os envolvidos no processo de ensino-aprendizagem, com o fito de que esse problema seja erradicado do Brasil. Feito isso, a inclusão escolar dos “Murphys”, finalmente, será concretizada.