O uso do celular em sala de aula: ferramenta de aprendizagem ou de distração?

Enviada em 17/09/2021

Pluralidade de ferramentas, acesso rápido à informação, maior aproveitamento do período escolar - essas são algumas das expectativas que o telefone celular fez surgir na mente de muitos brasileiros, caso fossem utilizados nos processos de lecionamento das salas de aula. Entretanto, com o seu enfim manuseio nesses locais, o que têm se revelado são as recorrentes distrações dos alunos perante a presença dos dispositivos, os quais são usados com finalidades desconexas à aprendizagem. Diante desse cenário, é essencial a ação do Estado, mirando o uso da tecnologia, mas de maneira produtiva.

Diante do panorama apresentado, vale mencionar o filósofo e educador Paulo Freire, que em sua obra “Pedagogia da autonomia”, diz ser necessário promover uma educação emancipadora, capaz de formar indivíduos autônomos, habilitados a lidarem e interpretarem a realidade que os cerca, por meio de decisões seguras e responsáveis. Tomando como partida a ideia citada, os celulares poderiam ser utilizados para tornar a realidade da educação escolar mais próxima das ideias do pensador. Para isso, tanto os professores quantos os discentes, serviriam-se das amplas ferramentas de pesquisa veloz, para buscar trabalhos acadêmicos e opiniões que colaborariam para o senso crítico dos alunos, além de aplicativos específicos para ganhar tempo, tornando o momento de estudar mais proveitoso e útil.

Indo de encontro com as benesses esperadas pelo consumo da tecnologia, os estudantes utilizam o celular para fins desligados dos propósitos da obtenção de conhecimento, sendo o lazer - redes sociais e jogos, enfaticamente - a razão que de fato os leva a fazer uso do aparelho. Uma explicação para essa conjuntura, é a falta de preparo dos professores brasileiros no que tange à integração adequada e benéfica do telefone em suas aulas. Tal fato é verificável pela pesquisa TIC Educação 2016, do Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação, que aponta que 54% dos professores não cursaram em suas graduações alguma disciplina que os ensinasse sobre como usar as tecnologias de informação - como o celular - e a internet em atividades com os alunos. Logo, é possível inferir que, apesar das maneiras de aperfeiçoamento do ensino que o telemóvel apresenta, essas possibilidades não são praticadas, sendo ele manuseado para finalidades externas.

Infere-se, portanto, que utilizando-se de mecanismos estatais é possível promover o correto uso dos “smartphones” nas salas de aula do país. A fim de se alcançar tal objetivo, cabe ao Ministério da Educação - órgão responsável por organizar e direcionar o sistema de ensino do país, tanto o Fundamental quanto o Médio e Superior -, por meio do direcionamento de verbas para tal fim e da divulgação nas redes sociais, disponibilizar para os professores cursos online gratuitos que os ensinem a integrar as ferramentas do celular em suas aulas, sendo eles acessíveis a qualquer horário do dia.