O uso do celular em sala de aula: ferramenta de aprendizagem ou de distração?
Enviada em 19/09/2021
Em sua fase Técnico-Científico-Informacional, a Revolução Industrial é responsável pela consolidação da tecnologia na contemporaneidade, sendo capaz de transformar os padrões de consumo, as relações interpessoais e, também, os meios de aquisição de conhecimento. A partir dessa integração, os aparelhos eletrônicos são cada vez mais precocemente encontrados em sala de aula, o que pode configurar um facilitador ou um potencial empecilho para a plena formação individual. Dessa forma, a família e as instituições de ensino devem administrar o uso da tecnologia para que os bônus se sobreponham aos ônus.
Sob tal ótica, a família, enquanto instituição social responsável pela educação da vontade do indivíduo, tem a função de estabelecer hábitos e limites. Tal raciocínio é premissa básica para que, na ausência dos pais, a criança tenha direcionamento para pensar e agir de forma prudente. Nesse sentido, o uso regrado do celular em casa, com horários definidos e controle de conteúdo consumido, constrói a disciplina pessoal desde a infância, bem como atribui ordem e estabilidade aos afazeres. Com isso, não somente o uso disperso de eletrônicos na escola poderia ser atenuada, como também a melhoria na concentração dos estudantes seria nítida.
Por outro lado, negar a integração tecnológica que caracteriza o atual momento histórico é, também, perder a oportunidade de modernizar e aprimorar o processo educativo. Segundo o escritor Paulo Freire, a educação primitiva, cujo professor é o único detentor de conhecimento, é falha em sua eficiência no que tange ao desenvolvimento pleno do cidadão. Sendo assim, o uso de celulares, tablets e projetores, possibilitados pelo advento da tecnologia, podem servir para aumentar a participação ativa dos alunos e melhorar a experiência de aprendizado. A partir daí, seria viável a efetivação de um modelo em concordância com o patrono: capaz de construir habilidades utéis, alimentar o senso cítico e com o protagonismo estudantil.
Infere-se, potanto, que a experiência tecnológica na educação pode ser melhorada. Logo, cabe aos pais o interesse de, em prol da saúde cognitiva dos filhos, buscar alternativas, por meio de cursos online acessíveis, ao uso excessivo das telas em casa, com o intuito de torná-los indivíduos disciplinados e fortes mentalmente. Ademais, cabe ao Ministério da Educação fornecer cursos de integração tecnológica aos professores, não somente relacionado à técnica dos aparelhos, mas também às metodologias de aula, para que o aprendizado seja eficiente e agradável. Assim, a tecnologia beneficiará a formação acadêmica de crianças e jovens.