O uso do celular em sala de aula: ferramenta de aprendizagem ou de distração?

Enviada em 17/09/2021

Parafraseando a primeira lei newtoniana, um corpo não terá seu movimento alterado a menos que forças externas consideráveis ajam sobre ele, sobressaindo sua inércia. Esse é o hodierno cenário sobre o uso do celular em sala de aula: uma inércia que perdura no paradoxo entre as vantagens benéficas oferecida por essa tecnologia, em detrimento da alienação ante as mídias sociais. Sendo assim, convém analisar os principais pilares dessa chaga social.

Vale ressaltar, a princípio, que o escritor austríaco Stefan Zweig alegou, em sua obra “Brasil, País do Futuro”, que grandes avanços tecnológicos e sociais seriam efetivados na nação, o que realmente foi evidenciado com o advento da internet e de smartphones de última geração. Tal conquista proporcionou a conexão instantânea em todos os continentes do mundo, possibilitando o acesso a pesquisas e a qualquer tipo de informação de maneira rápida e prática. Ademais, essa conectividade também chegou ao ambiente escolar, o que trouxe extrema agilidade para professores e alunos: livros online, vídeos educativos, todo tipo de temática disponível a qualquer momento no amplo meio virtual, favorecendo na contemplação das mais variadas camadas sociais.

Sob outro prisma, faz mister salientar que Brás Cubas, o defunto-autor de Machado de Assis, alegou em suas “Memórias Póstumas” que não teve filhos e não transmitiu para criatura sequer o legado de nossa miséria. Possivelmente, hoje, ele perceberia quão certeira foi sua decisão: o atual cenário da alienação da sociedade frente as redes sociais é uma das faces mais lamentáveis do âmbito nacional. Outrossim, essa compulsão dificulta a utilização do espaço cibernético para meios educativos, sendo utilizado nas salas de aula, majoritariamente, para acessar aplicativos de mensagens, fotos e vídeos, como o Instagram. Para mais, tal direcionamento errôneo gera indivíduos cada vez mais engajados em ferramentas que não acrescentam beneficamente em seu desenvolvimento intelectual, além de, a longo prazo, poder acarretar em doenças de dependência ao celular, como a Nomofobia.

Destarte, forças externas devem tornar efetivas vencendo a inércia proposta por Newton. Dessa forma, é necessário que o Ministério da Educação, em parceria com o Ministério da Saúde, promova campanhas educativas, para expor os malefícios da alienação às redes sociais, por intermédio de debates e palestras ministradas por médicos e professores, a fim romper vícios e disseminar as extensas possibilidades pedagógicas presentes na internet. Somente assim, efetivar-se-á o celular como ferramente de aprendizagem no ambiente escolar, pois como referido por Karl Marx: “as inquietudes são a locomotiva da nação”.