O uso do celular em sala de aula: ferramenta de aprendizagem ou de distração?

Enviada em 21/09/2021

Na obra “Utopia”, de Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e de problemas. No entanto, o que se observa na contemporaneidade é o oposto do que o autor prega, uma vez que o uso do celular em sala de aula para distração representa barreiras, as quais dificultam a concretização dos planos de More. Desse modo, faz-se imperioso analisar a impostura estatal e o falho sistema educacional do Brasil, fatores que favorecem esse panorama adverso.

A princípio, convém ressaltar a negligência estatal frente a essa questão. A exemplo disso, ainda não há uma regra única quanto ao uso de dispositivos móveis nas escolas, sendo o estado de São Paulo o único que tipificou normas, por meio da liberação do uso dentro de sala de aula sob supervisão. Nesse sentido, o Poder Executivo, ao não concentrar esforços na elaboração de paradigmas nacionais que visem o uso produtivo de eletrônicos em escolas, facilita a utilização desses mecanismos como itens de entretenimento e de distração, o que, lamentavelmente, prejudica o aprendizado. Essa conjuntura, segundo o filósofo contratualista John Locke, configura-se como uma violação do que ele denomina por “Contrato Social”, uma vez que o Estado não cumpre o seu dever de assegurar aos cidadãos direitos essenciais, como a educação. Esses aspectos, infelizmente, são notórios no país.

Ademais, convém ressaltar o falho sistema educacional como impulsionador desse quadro deletério. Nesse viés, o rapper Gabriel O Pensador, ao denunciar o modelo de ensino, em “Estudo Errado”, diz “Decorei toda a lição, não errei nenhuma questão, não aprendi nada de bom, mas tirei dez.” A partir desse aspecto, percebe-se que caso o aprendizado não promova os estudantes para a plena consciência da realidade técnico-científico-informacional na qual estão inseridos - de modo que utilizem o celular como material de incremento das aulas, da motivação e do nível de aprendizado -, eles serão incapazes de aplicar, no âmbito do trabalho, esses dispositivos de modo inteligente e construtivo. Logo, é inadmissível que essa realidade continue a perdurar.

Depreende-se, portanto, a necessidade de combater esses percalços. Para isso, o Executivo, por meio da capacitação de professores com materiais instrutivos quanto ao uso eficiente do celular na rede pública de ensino, deve efetivar a instituição dos aparelhos eletrônicos em sala de aula, a fim de incrementar o rendimento e o aprendizado dos alunos. Isso deve possibilitar o interesse genuíno dos jovens em participar do processo educativo, uma vez que a linguagem tecnológica - os celulares e os conteúdos interativos neles presentes - serão constituintes do âmbito escolar. Assim, consolidar-se-á um sistema educacional mais eficiente, em que o Estado cumpre corretamente o seu “Contrato Social”.