O uso do celular em sala de aula: ferramenta de aprendizagem ou de distração?

Enviada em 21/09/2021

“Black Mirror”, seriado da produtora de audiovisual Netflix, aborda as possíveis futuras implicações do uso da tecnologia avançada no cotidiano em uma mistura de utopia e realidade: ao mesmo tempo em que as elaborações da obra parecem surreais, elas também se aproximam do mundo “digital” em que vivemos, onde tudo está integrado ao tecnológico. Fora da ficção, a discussão sobre a presença de dispositivos “smart” (inteligentes) chega até a educação: elemento fundamental do dia-a-dia dos alunos, os celulares podem ajudar na apreciação do conteúdo escolar, mas tal recurso requer monitoramento e finalidade objetiva. Destarte, é importante analisar os fatores que tornam essa problemática realidade.

Convém ressaltar, a princípio, a necessidade crucial de alinhar o ambiente escolar à vida cotidiana do aluno, de maneira a fazer com que este sinta-se próximo do que o é apresentado e, assim, possa conectar-se ao ensino efetivamente. Logo, ao pensarmos que a grande maioria dos jovens são extremamente vinculados ao uso do celular, é lógico agregar tal aparelho ao aprendizado. De acordo com os dados contidos na monografia “O uso de smartphones em sala de aula: um caso de estudantes do ensino médio em Cuiabá”, 30% dos alunos acreditam que a tecnologia pode ser sim aplicada ao local acadêmico, afirmação que ganha sentido ao considerarmos a vasta quantidade de informações úteis na Internet que agregam à explicação dos professores e incentivam a autonomia da pesquisa.

Entretanto, cabe apontar a consolidação de regras específicas e monitoramento ativo por parte dos professores como parte essencial da utilização de “smartphones” em sala, para que estes não percam seu fim útil e tornem-se distrações maléficas. Tal “problema” desencadeado pelos celulares é motivo da proibição destes nas escolas de países como França e Reino Unido, entretanto, banir a tecnologia só fomenta a violação das regras e afasta a possibilidade da visualização dos avanços modernos como fonte de conhecimento, o que de fato eles são. Deste modo, além da mera presença do celular, é necessário sua aplicação de forma correta, junto à orientação dos docentes e restrição de acesso aos sites que não interessam ao ensino.

Portanto, torna-se evidente a urgência de ações que regularizem o uso de smartphones em sala de aula. Desta forma, faz-se mister que o Ministério da Educação crie, por meio de uma parceria com os provedores de Internet brasileiros, um programa dentro do currículo escolar que destine horas específicas para o uso dos celulares dos alunos, estes guiados pelos professores, de modo a incentivar a pesquisa autônoma e, assim, possibilitar a integração da tecnologia cotidiana ao conhecimento. Destarte, será possível estabelecer uma relação harmônica entre o digital e o ambiente escolar.