O uso do celular em sala de aula: ferramenta de aprendizagem ou de distração?

Enviada em 21/09/2021

Na obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, em que o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. No entanto, o que se observa no cenário atual é o oposto do ideal difundido pelo autor, visto que ferramentas de telecomunicações, como o celular, não é inserido no auxílio da formação de indivíduos nas instituições de ensino por estigma relacionado ao uso indiscriminado dessa tecnologia. Essa realidade é fruto da falta de informação e investimento na capacitação dos professores para lidar com as novas tecnologias em sala de aula.

Mormente, é importante ressaltar que, em decorrência da lacuna educacional na grade curricular dos cidadãos no que tange o uso da tecnologia da informação, lamentavelmente, corrobora para formação de preconceito no uso de microcomputador em sala de aula pelos alunos. Entretanto, são ferramentas que devem serem usadas para ajudar na composição do currículo dos civis. Segundo o filósofo inglês John Locke, o Estado tem a função de garantir que os cidadãos gozem de direitos imprescindíveis. Logo, admite-se ao governo o dever dos civis saírem das instituições de ensino preparados para o ofício em meio social e  trabalhista, dado que, assim, o corpo social tem os seus direitos constitucionais ratificados pelo Estado.

Além disso, com o avanço da tecnologia da informação, moldando uma nova realidade no cenário de serviços, exige, desta forma, qualificação profissional dos professores para lidar com essas ferramentas no ambiente escolar. Conforme a pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mais de 60% dos 8 milhões de trabalhadores que estavam desocupados em 2007, nunca frequentaram cursos de educação profissional, segmento que inclui aulas de qualificação para o trabalho, curso técnico de nível médio e graduação tecnológica. Nesse viés, faz-se necessário o investimento na qualificação profissional da população e professores, para, assim, formar uma equidade e equilíbrio no âmbito social.

Portanto, medidas estratégicas são necessárias para alterar esse cenário. Cabe ao Ministério da Educação, por meio de verbas governamentais, implementar a educação profissionalizante e tecnológica nas instituições de ensino e, em parceria com empresas do segmento tecnológico, endossar o estágio da população para qualificá-los a atuar no mercado de trabalho. Desse modo, essa lacuna educacional será inibida, os cidadãos serão formados mais autônomos no cenário social e profissional, o estigma será atenuado e a sociedade será padronizada como na obra “Utopia”.