O uso do celular em sala de aula: ferramenta de aprendizagem ou de distração?
Enviada em 22/09/2021
A Assembleia Legislativa do estado de São Paulo aprovou, em outubro de 2017, a proposta que permite o uso de celulares em sala de aula. No entanto, o desafio das escolas é, além de universalizar o acesso, também aprender a considerá-los como ferramenta de aprendizagem, pois promove a motivação dos estudantes e otimiza o trabalho dos professores. Assim, urge analisar as medidas para otimizar a aplicação da lei.
Em uma primeira análise, deve-se considerar que somente o quadro, o caderno e a caneta não são mais eficientes para garantir o interesse dos alunos em aprender. Isso porque os celulares mantêm os jovens conectados grande parte do dia, inclusive na escola, e propiciam o acesso em tempo real a informações mais atrativas do que as aulas expositivas. Nesse sentido, o uso pedagógico dessa tecnologia pode contribuir com a motivação dos estudantes, estando essa prática em consonância com as propostas do educador Paulo Freire, que defende a educação como aparato libertador, o que outrora era responsabilidade quase que exclusiva dos professores.
Ademais, é fundamental apontar que o uso de celulares durante as aulas tende a otimizar o trabalho dos professores. Segundo a Pesquisa Sobre o Uso das Tecnologias de Informação e Comunicação nas Escolas Brasileiras, em 2017, 56% dos docentes utilizam esses aparelhos para desenvolver atividades com os alunos, tanto nas escolas públicas quanto nas particulares. Esses dados, então, comprovam que o acesso aos grupos da sala, às galerias de arte e aos recursos digitais, como o Google Classroom, têm auxiliado no processo de ensino-aprendizagem através de alternativas mais envolventes aos estudantes.
Depreende-se, portanto, a necessidade de se inserir a tecnologia no ambiente educacional brasileiro. Para isso, é imprescindível que o Ministério da Educação, por intermédio das Secretarias Municipais e Estaduais, adotem medidas efetivas para incentivar o uso desses aparatos em todas as escolas do país. Isso pode ser concretizado através de sinais de internet gratuitos e de qualidade nas salas de aula, bem como de treinamentos aos educadores para que estejam aptos a escolher aplicativos de educação, de maneira que os alunos realizem tarefas, tirem dúvidas e acessem os materiais didáticos. Dessa forma, as aulas tornar-se-ão mais interessantes e dinâmicas, tendo como resultado uma sociedade tecnologicamente inclusiva e com a educação desempenhando seu papel libertador.