O uso do celular em sala de aula: ferramenta de aprendizagem ou de distração?

Enviada em 19/10/2021

Historicamente, a Revolução Técnico-Científico e Informacional, ocorrida a partir de 1970, foi o processo de inovação tecnológica responsável pelo avanço na produção das áreas de informática, robótica e de telecomunicações. Portanto, o surgimento dos meios de comunicação digital como computadores e celulares, ao término do século 20, proporcionou o aumento do compartilhamento de informações ao mesmo tempo que transformou a assimilação do conhecimento em um processo superficial graças a poucos “cliques” na tela. Desse modo, o uso do celular em sala de aula é uma ferramenta de distração devido a valorização excessiva dos jovens a permanência do meio digital.

A princípio, o sociólogo Theodor Adorno, ao analisar o impacto das tecnologias aos meios de produção intitulou o termo “Indústria Cultural”, ou seja, processo de adestramento do consumo dos indivíduos realizado pelas grandes empresas na sociedade capitalista, para que todos comprem os mesmos produtos e compartilhem os mesmos conteúdos -atualmente com as redes sociais- a fim de proporcionar o maior lucro possível devido a massificação de produtos. Logo, a utilização dos celulares do ambiente estudantil tornará mais assídua a permanência dos estudantes nesse sistema, visto que, a manipulação dos meios de comunicação sobre as pessoas é tão sútil que tornou os aparelhos tecnológicos em uma extensão do corpo humano e uma necessidade para o consumo.

Nesse sentido, o documentário “Dilema das Redes” retrata como as grandes empresas de tecnologia como Facebook, Instagram e TikTok utilizam da inteligência artificial para manter os usuários cada vez mais tempo on-line pois as visualizações tornaram-se forma de lucratividade. Assim, o intelectual Edgar Tufte divulgou “Existem apenas duas indústrias que chamam seus clientes de usuários: a de drogas e a de software” ao retratar o comando psicológico das tecnologias sobre o cotidiano dos indivíduos o que torna insustentável, no parâmetro escolar, a utilização dos celulares nas salas de aula.

Afinal, para transformar o uso do celular na sala de aula em uma ferramenta de aprendizagem ao invés de distração é necessário que o Ministério da Educação institua o aumento da grade horária no ensino público relacionado as disciplinas de filosofia e sociologia. Isso deve ser realizado a partir da contratação de mais professores, formados nas Universidades Públicas de cada região, para que possam esclarecer os impactos da tecnologia na modernidade, como o controle do consumo com a Indústria Cultural e a alienação relacionada a dependência das mídias digitais no aspecto comunicativo e de existência. Somente assim, ocorrerá o término de uma educação de compartilhamento e superficialidade para a emancipação intelectual relacionada ao poderio das mídias sociais.