O uso do celular em sala de aula: ferramenta de aprendizagem ou de distração?

Enviada em 10/10/2021

“Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu”. Essa frase, da Bíblia, sugere que há ações as quais são incompatíveis entre si, como a do uso do celular durante a aula. Nesse contexto, o dispositivo eletrônico manifesta sinergias negativas no que toca ao ambiente educacional, seja pela presença de informações desnecessárias, seja pela existência de aplicativos sociais.

Mormente, pode-se dizer que dados supérfluos configuram-se como o principal obstáculo para a criação de um ecossistema saudável entre os estudantes e a internet. Nesse sentido, pode-se dizer que algoritmos virtuais interagem de forma onerosa, expondo informações secundárias e comerciais para induzir o usuário, o que cria uma distração. A esse respeito, o sociólogo polonês Zygmunt Bauman afirma, em sua obra “Modernidade Líquida”, que a humanidade vive, nos dias de hoje, uma era de informatividade “líquida”, na medida em que ela é produzida para ser fluída e consumida rapidamente pela população. Assim, vencer o viés capitalista e fluído da  informação no uso de celulares é o primeiro passo para estabelecer o uso de internet em salas de aula.

Outrossim, outro fator que corrobora para essa problemática é a existência de aplicativos, como o WhatsApp, os quais são um fator gerador de desatenção e estresse no estudante. Sob esse viés, é válido ressaltar um vício reconhecido cientificamente como “nomofobia”, o qual se caracteriza pela obsseção em aparelhos eletrônicos; a exemplo do celular, criando hábitos de apego, como reagir imediatamente ao notar a notificação do celular e desconforto caso não o faça. Além disso, a revista Veja revelou, em 2019, que cerca de 40% dos adolescentes possuem comportamento análogos ao tal vício. Dessa forma, é evidente a incompatibilidade entre o celular e o estudante, visto que este é interrompido e destraído por aquele.

Assim sendo, urge uma solução para este problema. Para isso, cabe ao Ministério da Educação criar salas de informática em todas as escolas brasileiras, as quais devem conter computadores orientados para fins educativos, sendo criptografados para não permitir a instalação de aplicativos, como o Whatsapp, e não sugerir informações secundárias e comerciais, como acontece nos celulares. Isso será possível mediante o financiamento da Secretaria do Tesouro Nacional, que deverá concessionar dinheiro para realizar tal projeto governamental. Finalmente, poder-se-á substituir o celular por aparelhos com sinergias em salas de aula, indo a favor de uma educação mais inclusiva e inteligente.