O uso do celular em sala de aula: ferramenta de aprendizagem ou de distração?

Enviada em 16/10/2021

Para o filósofo Jean-Paul Sartre, “o ser humano é livre e responsável, cabe a ele escolher o modo de agir”. Essa visão, embora correta, não abrange todo cenário global dos dias atuais, sobretudo no Brasil, posto que há dificuldades em incrementar o aparelho celular nas aulas presenciais. Isso ocorre tanto em função da ideia de que a tecnologia possa causar distrações às aulas, como também pela inação das esferas governamentais para conter esse dilema. Diante disso, é imprescindível conhecer e discutir os diversos estigmas dessa problemática, na propensão de solucioná-la.

A princípio, é válido reconhecer como esse panorama supracitado é capaz de limitar a própria cidadania do indivíduo. Acerca disso, é pertinente trazer o discurso do filósofo Jurgen Habermas, que consiste na capacidade de uma pessoa em defender seus interesses e demonstrar o que acha melhor para a comunidade, que demanda ampla informatividade prévia. Dessa forma, sabendo que a cidadania consiste na luta pelo bem-estar social, caso os sujeitos não possuam total conhecimento da realidade na qual estão inseridos, eles serão incapazes de assumir plena defesa pelo coletivo. Logo, o estigma posto no uso do celular durante uma aula, não pode ser aceito em nome do combate, também ao individualismo e zelo pelo bem grupal.

Ademais, o controle de dados impulsiona a indústria cultural, teoria criada pelos sociólogos Adorno e Horkheimer. Segundo essa teoria, a cultura de determinado local é substituída por uma que se sobressai, fenômeno intensificado pela concentração de renda. Em virtude de manipulações por autoridades governamentais e, de acordo com a Organização das Nações Unidas, o Brasil tem a 2° maior concentração de renda do mundo; uma vez que os elementos da cultura a serem difundidos são vinculados aos que têm mais poder de voz. Por não ter sido um assunto muito relevante antes da pandemia, não existem leis que favorecem o uso do celular de forma disciplinar durante as aulas presenciais.

Para contornar essa situação, o Ministério da Educação deve propor a prática de estudo que, de forma supervisionada, permite o uso do celular durante as aulas, por meio de um projeto de lei entregue à Câmara dos Deputados. Tais regulamentos têm por objetivo melhorar a interatividade dos professores com os alunos, uma maior velocidade no sistema de notas e correção de atividade ou até mesmo reduzir o peso carregado pelos alunos nas mochilas com livros salvos no aparelho. Espera-se, com essa ação, o controle desse problema.