O uso do celular em sala de aula: ferramenta de aprendizagem ou de distração?

Enviada em 17/10/2021

Segundo Milton Santos, geógrafo brasileiro, a formação do meio técnico-científico informacional promoveu um processo de aceleração contemporânea, caracterizado pela mudança no tempo de envio e recepção de informações. Diante disso, apesar do brusco desenvolvimento tecnológico da sociedade, o modelo de sala de aula clássico francês não se apresenta completamente vinculado à aceleração retratada, em decorrência da desassociação parcial ao uso de celulares que, caso inseridos, podem amenizar a evasão escolar, bem como viabilizar uma melhor consolidação do senso crítico.

Sob essa ótica, um dos múltiplos fatores do abandono escolar está correlacionado à aversão ao modelo de aula atual, que apresenta-se, muitas vezes, distante da dinâmica hodierna de aprendizado. Nessa perspectiva, o filme Sociedade dos poetas mortos retrata um professor de literatura que buscou implementar uma maneira atualizada de ensino das obras literárias, matéria antes desvalorizada pelas personagens, que aderiram a proposta do professor e passaram a desenvolver um maior interesse pelos livros. Fora da ficção, muitas matérias escolares são vistas como desinteressantes pois estão desassociadas às formas atuais de acesso à informação, análogo ao filme. Logo, a inserção do uso de celulares como ferramenta de aprendizagem surge como alternativa para atualizar a maneira clássica de dar aula, e aproximar os jovens do estudo, pelo interesse.

Além disso, Martin Heidegger, filosofo alemão, afirma que a tecnologia não é apenas um instrumento, mas uma forma de enxergar o mundo. Nesse viés, a internet é uma ampla rede de conhecimentos gerais, que permite ao indivíduo o desenvolvimento do senso crítico baseado em inúmeras ideologias discutidas. Contudo, apesar do potencial tecnológico retratado pelo pensador, o meio virtual, acessado sem o direcionamento adequado, pode provocar a alienação de jovens e o afastamento do progresso desenvolvido pelo método científico. Dessa forma, é importante ao meio estudantil trabalhar em cooperação aos aparelhos celulares, pois a escola possui a capacidade de direcionamento ao senso crítico, que associado à principal fonte de ideologias contemporânea, contribui para a utilização efetiva dessa ferramenta.

Evidencia-se, portanto, que para provocar maior interesse aos jovens pelo ensino e direcionar o uso proveitoso do aparelho celular como forma de aprendizado, é relevante ao MEC viabilizar a associação do modelo de ensino clássico às formas de progresso tecnológico, por meio da introdução gradativa de conteúdos escolares na grade curricular do ensino básico, que compactuam com a utilização de celulares, com livros que contenham código QR e professores treinados para instruir os alunos nesse processo. Assim, o meio educacional se desenvolverá em cooperação à aceleração hodierna.