O uso do celular em sala de aula: ferramenta de aprendizagem ou de distração?

Enviada em 19/10/2021

A Constituição federal de 1988 prevê a educação como um direito inerente ao cidadão brasileiro. Todavia, isso não acontece na prática quando se observa a questão do uso do celular em sala de aula como ferramenta de aprendizagem. Nessa perspectiva, a falta de clareza do governo sobre a adoção do celular como ferramenta de ensino, impulsionada pelo contexto social brasileiro, geram um quadro de cerceamento das liberdades substantivas dos cidadãos, como o acesso à educação. Assim, é imperativo analisar os fatores que favorecem esse quadro.

Nesse contexto, cabe destacar a falta de clareza do governo sobre o uso de celulares no ensino como um fator. De acordo com o site Fundacred, por exemplo, existem, no Brasil, diferentes regras sobre o assunto. Consequentemente, a utilização do celular em sala de aula - que segundo a Somospar melhora a aprendizagem do aluno - é muitas vezes proibida e os alunos perdem ferramentas educativas. Esse cenário, de acordo com o ganhador do Nobel, Amartya Sen, fere as liberdades substantivas dos cidadãos, já que o direito a educação é cerceado.

Ademais, deve-se apontar o contexto social brasileiro como outro fator que favorece esse quadro. O sociólogo Jessé Souza, em seu livro ‘‘A Ralé Brasileira’’, destaca parte da população que vive marginalizada. Essa população, segundo o sociólogo, tem dificuldade de adquirir insumos básicos para o dia a dia e, dessa maneira, não tem acesso a celulares para o uso nas salas de aula. Logo, democratizar o acesso de ferramentas educativas, no Brasil, é essencial para garantir o acesso à educação.

Portanto, a fim de usar o celular como uma ferramente de aprendizado, o Estado, que segundo Amartya Sen deve garantir as liberdades substantivas dos cidadãos, precisa permitir o  uso do celular na sala de aula e garantir o acesso a essa ferramenta. Isso pode ser feito por meio da criação de medidas que permitam o uso da ferramenta em sala de aula e por meio da aquisição de celulares para o uso nas escolas, visto que podem ser mais acessíveis que o computador, por exemplo. Enfim, caso a Constituição federal seja cumprida e o celular seja utilizado como ferramenta educativa, a população brasileira gozará de mais liberdades.