O uso do celular em sala de aula: ferramenta de aprendizagem ou de distração?

Enviada em 24/10/2021

No livro “A República”, do filósofo Platão, o autor idealiza uma sociedade em que todos os cidadãos buscam pelo bem comum. Infelizmente, a questão do uso dos celulares em sala de aula afasta o Brasil dessa realidade utópica, uma vez que mesmo que esse aparelho seja uma ferramenta de pesquisa, ele também aumenta a possibilidade de distração dos alunos. Dessa maneira, medidas são necessárias para diminuir os impactos da temática.

Nesse viés, é válido lembrar que a Revolução Industrial foi um período de intenso desenvolvimento tecnológico, que teve início na Inglaterra, no século XVIII. De maneira análoga, na atualidade, as inovações no meio cibernético facilitam a vida dos indivíduos no ambiente educacional. Assim, o uso de celulares nas escolas permite o rápido acesso à informação acadêmica dos alunos, sem, por exemplo, necessitarem de irem a bibliotecas para ter o conhecimento sobre algum assunto específico, o que otimiza o tempo de estudo desse jovem. Além disso, o uso pedagógico da tecnologia pode contribuir para a efetivação do aprendizado dos alunos, que, por estarem inseridos na contemporaneidade tecnológica, veem o uso de celulares como algo interessante, e assim, se veem mais motivados com a vida acadêmica. Logo, quando utilizado de maneira consciente, o uso de aparelhos telefônicos é benéfico para o ambiente escolar.

Porém, a série “Sex Education”, da produtora de streaming Netflix, mostra que a diretora Hope proibiu o uso de celulares na escola para otimizar os estudos dos alunos do colégio Moordale. Fora da ficção, nota-se que os pontos negativos do uso de telefone em sala de aula superam os aspectos positivos, visto que são um mecanismo de distração dos indivíduos no ambiente escolar, por ser um canal de acesso às redes sociais, como Instagram, Tik Tok e Facebook, e também à jogos. Logo, o que antes seria algo para otimizar o tempo de estudo e favorecer os mecanismos de pesquisa, os celulares se tornaram um dos principais intermediários para a desconcentração das pessoas. Um exemplo disso é que, de acordo com a Folha de São Paulo, cerca de um quarto dos alunos usam os celulares em classe por estarem cansados da aula. Esse dado evidencia um quadro caótico que urge mitigação.

Portanto, medidas são necessárias para minimizar a temática. Cabe, então, ao Ministério da Educação criar campanhas educativas acerca do uso de celulares nas escolas, por meio de verbas advindas de operações contra a corrupção, como a Lava-Jato, a fim de conscientizar os alunos sobre o uso eficiente dos aparelhos telefônicos no meio acadêmico para minimizar as distrações, além demonstra-los as consequências negativas que esse hábito pode causar na sua vida acadêmica. Com essa medida, o Brasil se aproxima da utopia proposta por Platão.