O uso do celular em sala de aula: ferramenta de aprendizagem ou de distração?
Enviada em 25/10/2021
Na 2ª Revolução Industrial, os avanços materiais, como a máquina a vapor, foram acompanhados com contestações, as quais negavam o progresso técnico em prol de um passado arcaico, tendo como fim a manutenção de formas antigas de se relacionar com o meio vivido. Em consonância com o contexto histórico mencionado, o panorama brasileiro se configura nas mesmas bases, nas quais o celular enquanto meio de aprendizado é, muitas vezes, negado. Dessa forma, deve-se, para superar o cenário atrasado, discutir suas causas, sendo elas a negligência estatal e o tradicionalismo escolar.
Diante do exposto, faz-se mister notar que cabe ao Estado o papel de incentivador da evolução escolar. Sobre esse limiar, é possível afirmar, como faz o contratualista Thomas Hobbes em “Leviatã”, que é atribuída ao poder governamental a função de prover todos os meios necessários para o progresso societal. Todavia, a máxima do pensador não encontra paralelo no país, uma vez que a estrutura deficitária de grande parte das escolas, a qual não conta com conexão com a internet, não é solucionada pelo governo, o que torna difícil a implementação de novos pedagógicos via celular. Tal situação engendra, dessa maneira, um quadro de atraso que não consegue ser superado, por causa da carência material enfrentada. Logo, é imprescindível que sejam feitas modificações infraestruturais nas escolas, para que se possa efetivamente usar dispositivos móveis como ferramenta de aprendizagem.
Além disso, os pedagogos, não raro, colaboram para a falta de avanços no uso de novas tecnologias. Isso ocorre, tristemente, em função do apego à tradição, fenômeno latente nas instituições escolares, o qual se coloca como contrário ao uso do celular para advogar a favor de métodos retrógrados de ensino. Porém, há como superar comportamentos já arraigados socialmente, segundo o filósofo pós-estruturalista Jacques Derrida, a partir de uma vontade estabelecida entre os agentes sociais de transgredir o que se apresenta como tradicional. Por consequência, se há possibilidade de evoluir e utilizar novas maneiras de ensino, é inadmissível que tal progresso não seja efetivado no contexto letivo do Brasil.
Infere-se, consequentemente, que o governo federal, na interface do Poder Executivo — responsável pela materialização das demandas populacionais — deve promover o acesso integral à internet nas escolas, por meio de aportes financeiros direcionados ao Ministério da Educação, o qual, a partir de parcerias público-privadas, proverá os meios necessários para a reconfiguração infraestrutural abordada. Se assim for feito, espera-se que o celular se consolide como uma forma válida e eficaz de ensino nas escolas do país, fato que coadunará os avanços tecnológicos com a educação dos cidadãos brasileiros, garantindo, assim, que as ideias hobbesianas sejam cumpridas.