O uso do celular em sala de aula: ferramenta de aprendizagem ou de distração?
Enviada em 26/10/2021
A teórica política alemã, Hannah Arendt, utiliza a expressão “Banalidade do Mal” para traduzir o formato trivial de instalação de problemáticas em sociedades contemporâneas. Essa perspectiva analisada pela pensadora, simboliza claramente o comportamento da sociedade diante do uso do celular em sala de aula como uma ferramenta de distração ou aprendizado, já que é justamente a habitualidade frente à questão que a agrava e a profunda no corpo social brasileiro. Nesse sentido, torna-se evidente a negligência governamental e a falha educacional e a necessidade de analisar os males relativos ao problema, a fim de, então, reverte-los.
Diante desse cenário, é válido destacar que a negligência governamental colabora com a ascensão do uso indevido do celular em sala de aula, o perpetuando como uma ferramenta de distração. Segundo o filósofo John Locke, o Estado foi criado por um Pacto Social para assegurar os direitos fundamentais dos indivíduos e proporcionar relações harmônicas. No entanto, é notório o rompimento desse contrato social no atual cenário brasileiro, visto que, devido a baixa atuação das autoridades, crianças, jovens e adultos abusam do celular de forma errônea em sala de aula, afetando significantemente o desenvolvimento escolar durante as aulas, uma vez que o uso do aparelho eletrônico não é algo repudiado pelo Estado durante as aulas escolares.
Ademais, a falha educacional é outro fator contribuinte para o uso inadequado do celular em sala de aula. A série britânica “Sinks” retrata jovens adolescentes usando frequentemente o celular em sala de aula de modo indevido, mesmo quando o uso deveria ser para aprendizagem, o que ao longo da trama, trouxe sérios problemas de aprendizado aos personagens. Assim como na ficção, a realidade do jovem brasileiro em sala de aula se assemelha, uma vez que não há punições eficazes contra o uso do telefone celular em classe, permitindo, infelizmente, o uso do celular por adolescentes e crianças de forma incorreta, prejudicando, na maioria das vezes, a concentração no estudo desses menores e trazendo gradativamente problemas na formação acadêmica.
Infere-se, portanto, que a conjuntura é grave e exige mudanças. Cabe ao Ministério da Educação, órgão responsável pelo sistema educacional brasileiro, criar campanhas educativas nas escolas brasileiras, por meio de projetos educacionais durante as aulas de sociologia, a fim de conscientizar crianças e adolescentes sobre o uso devido do celular em sala de aula para fins didáticos em prol de uma aprendizagem leve e tecnológica. Assim, vislumbra-se a um Brasil em que o uso do celular em sala de aula será utilizado de forma adequada e educacional.