O uso do celular em sala de aula: ferramenta de aprendizagem ou de distração?
Enviada em 03/11/2021
Em meados de 2011, sobretudo no norte da África e no Oriente Médio, insurgiram revoltas contra as ditaduras instauradas nessas regiões, as quais ficaram conhecidas por Primavera Árabe. Esta teve as redes sociais como meio para a divulgação dos seus princípios, o que comprova a importância das tecnologias da informação e da comunicação (TICs) na atualidade. Todavia, quando mal aproveitadas, essas ferramentas podem ser prejudiciais, como no caso do uso dos celulares em sala de aula, o que se deve não apenas à abundância de informações no meio digital, mas também à possibilidade de alienação dos alunos em decorrência do controle dos seus dados.
Nesse viés, um primeiro aspecto responsável pela problemática consiste no excesso de conteúdo disponível no ciberespaço. Embora a democratização da informação seja um aspecto positivo proporcionado pela internet, a sua abundância pode tornar-se prejudicial, visto que os indivíduos que não selecionam conteúdos úteis a eles são facilmente confundidos. Esse fenômeno, denominado “Novo Dilúvio” pelo sociólogo Pierre Lévy em seu livro “Cibercultura”, como uma alusão ao dilúvio bíblico, pode ser recorrente nas escolas, já que estas não podem contar com a capacidade integral dos alunos para discernir a veracidade e a utilidade das informações frente à grande quantidade de conteúdos disponíveis na internet, o que torna-se danoso ao processo de aprendizagem.
Ademais, vale ressaltar que o controle de dados na internet corrobora a continuidade do problema. Devido à ampliação do uso de algoritmos no meio virtual, os resultados das pesquisas feitas pelos usuários são cada vez mais personalizados, uma vez que eles encontram com maior frequência conteúdos semelhantes aos seus interesses passados. Dessa forma, por não terem acesso à totalidade das informações sobre determinado tema, esses indivíduos são mais facilmente alienados, o que, segundo o sociólogo Karl Marx, faz com que a sua maneira de pensar e de agir condiza com a vontade dos que disponibilizam a eles os conteúdos, o que reduz drasticamente o seu senso crítico e torna a internet uma fonte de pesquisa pouco confiável, principalmente, para o ambiente escolar.
Faz-se necessária, pois, com o intuito de atenuar esse quadro, a ação do Estado, por intermédio do Ministério da Educação. Este deve preparar os alunos para o manejo do “Novo Dilúvio” de informações, por meio da capacitação dos professores ao cumprimento dessa função ao, por exemplo, oferecer a estes cursos online, a fim de que os aprendizes se beneficiem dos recursos disponíveis no ciberespaço. Além disso, o Ministério da Ciência e da Tecnologia deve tornar a internet uma fonte de pesquisa mais segura, mediante regulamentação do uso de algoritmos no país, para que os estudantes sejam menos alienados em decorrência do acesso indiscriminado ao conhecimento na internet.