O uso do celular em sala de aula: ferramenta de aprendizagem ou de distração?
Enviada em 08/11/2021
Segundo o escrito português José Saramago, em sua obra “Ensaio sobre a lucidez”, há verdades que precisam ser repetidas para que não caiam no esquecimento. Traçando um paralelo entre o pensamento do autor e a realidade contemporânea, tem-se que uma dessas verdades que precisam ser reiteradas diz respeito ao uso de ferramentas de aprendizagem em salas de aulas, como o celular, o qual pode se tornar, se usado de maneira inadequada, um meio de distração para os alunos. É indispensável, portanto, que essa questão seja vista sob um olhar crítico, tanto por razões de ordem individual quanto social.
Em primeiro lugar, é válido salientar os efeitos negativos dessa ferramenta no crescimento do sujeito. Nessa linha de raciocínio, é pertinente citar o filósofo humanista Thomas Morus, em sua obra “A utopia”, o qual ratifica que o ser humano deve compreender os bens que não arrastem consigo nenhum mal. Com base nisso, chega-se à percepção de que o celular em sala de aula apresenta aparentes benefícios para os estudantes – como uma forma de descansar durante as aulas –, mas, na verdade, esconde severos danos: atrapalha a concentração, prejudica a memória e diminui o rendimento escolar. Não dá para negar, então, os malefícios advindos desse instrumento.
Em segundo lugar, é fundamental entender os aspectos positivos do uso de smartphones em salas de aula no desenvolvimento da nação. De acordo com dados da revista “Exame”, a educação relacionada com tecnologias é um dos fatores que define a prosperidade de um país. Pesquisas como essa mostram como a dinâmica do país é favorecida a partir do incentivo ao uso de celulares, por exemplo, no processo de ensino-aprendizagem, pois eles despertam naturalmente o interesse por parte dos alunos, os quais se sentem motivados e instigados para participarem ativamente das aulas e das atividades. Portanto, só será possível o país progredir se ele vencer o obstáculo que o impede de um desenvolvimento digno: a falta de estímulo para uma educação ligada a tecnologias.
Por conseguinte, faz-se necessária a tomada de atitude frente a essa questão. Nesse sentido, cabe ao Ministério da Saúde – por ser o órgão responsável em formular e normatizar políticas nessa área – promover a criação de campanhas públicas periódicas, as quais elucidem as vantagens advindas do uso dos celulares e as formas de usá-los de maneira eficiente em sala de aula. Isso pode ser feito por meio da mídia digital e tradicional, como redes sociais, jornais e pela programação do rádio. Iniciativas assim resultarão em uma maior consciência acerca do tema e de suas repercussões na sociedade atual.