O uso do celular em sala de aula: ferramenta de aprendizagem ou de distração?

Enviada em 22/11/2021

Nomofobia é um termo que, desde 2008, vem sendo utilizado para dar nome ao vício em aparelhos celulares. Ao observar tal conceito no contexto escolar brasileiro, percebe-se que o uso de celulares nas salas de aula por alunos é recorrente, podendo resultar na falta  de atenção e dificuldade no aprendizado. Isso ocorre,  seja pela pouca atratividade das aulas aos alunos, seja pelo vício dos estudantes em smartphones.

Primeiramente, é importante ressaltar que aulas que não são chamativas ou que não envolvem o aluno desencadeiam a desatenção e, consequentemente, o uso do celular em sala de aula. Nesse sentido, segundo Augusto Cury, “Educar não é repetir palavras, é criar ideias e encantar”. Tal ideia abordada pelo psiquiatra não é realidade em muitos ambientes escolares brasileiros, nos quais as aulas acabam sendo monótonas e desinteressantes aos estudantes, que não se sentem integrados nas aulas e ficam entediados, recorrendo então a aparelhos celulares para se entreterem. Dessa forma, fica evidente como aulas pouco atrativas contribuem para o uso de telefones móveis no ambiente escolar e prejudicam o aprendizado dos estudantes.

Ademais, o vício em aparelhos celulares, que atinge um em cada quatro jovens, segundo pesquisa feita pela “King’s College” de Londres, é outro fator contribuinte para o problema. Sob essa ótica, o filme brasileiro “Modo Avião” mostra os efeitos negativos do uso excessivo do celular, fator que levou a protagonista a se envolver em diversos acidentes. Tal assunto abordado na obra reflete uma realidade vivenciada no contexto escolar brasileiro, no qual a nomofobia é comum entre os estudantes, que não conseguem resistir à vontade de usar seus smartphones e assim não focam nas aulas. Desse modo, nota-se como o vício dos alunos em aparelhos celulares contribui para a permanência do problema.

Portanto, é imprescindível que medidas sejam tomadas para minimizar o problema. Para isso, cabe ao Governo Federal - que possui como uma de suas funções garantir educação de qualidade para todos aqueles que a desejarem -, através de alterações na Lei de Diretrizes Orçamentárias, promova aumentos no percentual de investimento tanto em cursos para profissionais da educação sobre aulas dinâmicas em escolas públicas, incentivando atividades e discussões atrativas e que envolvam todos os alunos e, inclusive, utilizando como uma de suas ferramentas o próprio celular,  quanto em parcerias público-privadas com empresas de eletrônicos, visando criar programas que fiscalizam as horas diárias do uso dos telefones móveis por brasileiros, enviando alertas e conscientizações sobre os malefícios da nomofobia. Como resultado, espera-se redução na distração dos estudantes brasileiros por aparelhos celulares durante os estudos e melhoria na qualidade de ensino.