O uso do celular em sala de aula: ferramenta de aprendizagem ou de distração?
Enviada em 20/11/2021
Nas décadas passadas, mais precisamente entre 1990 e 2000, a telefonia móvel surpreendeu o mundo inteiro representando uma revolução na área digital e nos meios de telecomunicação. De maneira análoga a isso, o uso de smartphones, já na atualidade, possibilitou a conexão com o mundo todo. Nesse prisma destacam-se dois aspectos importantes, a possibilidade que a indústria eletroeletrônica encontrou nos ´´smartphones`` de aumentar seu lucro e a implicância direta deste fenômeno na aprendizagem dos jovens na escola, que ao se entreterem no campo tecnológico dentro da sala de aula se encontram em defasagem de conteúdo.
Em primeira análise, evidencia-se que a chegada dos celulares no Brasil foi por um tempo um artifício de luxo, vendidos a preços exorbitantes e contendo poucas unidades. Com a evolução das indústrias de telecomunicação os aparelhos foram evoluindo e aos poucos se tornando mais acessíveis, afinal, todos queriam ter acesso aos smartphones e as indústrias viram uma possibilidade de produzir desde o aparelho mais simples ao mais luxuoso. Sob essa ótica, de acordo com um estudo do banco de investimento Canaccord Genuity, a Apple ficou com 75% de todo o lucro gerado pela indústria com venda de smartphones no segundo trimestre deste ano. Dessa forma, é nítida a possibilidade de crescimento das indústrias com os celulares, que visam o lucro próprio e não a aprendizagem da população.
Além disso, é notório que o uso de celulares em sala de aula influencia diretamente na aprendizagem dos jovens na escola. Desse modo o conceito de modernidade líquida desenvolvido por Bauman se encaixa no quadro, visto que as relações em sala de aula estão cada vez menos sólidas e rígidas, os alunos passam a maior parte do tempo se preocupando com as mensagens e vídeos dos campos midiáticos havendo uma alta fragilidade de laços entre pessoas e de pessoas com instituições. Consoante a isso os jovens passam a maior parte do tempo entretidos com assuntos que se distanciam do conteúdo e fragilizados passam a sofrer com uma alta defasagem no aprendizado.
Depreende-se, portanto, a adoção de medidas que venham amenizar o uso de celulares em sala de aula. Dessa maneira, cabe ao governo estatal disponibilizar a verba que advém dos impostos cobrados da população para o ministério da educação, a fim de que este possa comprar dispositivos telemóveis com acesso guiado para que assim os estudantes consigam fazer apenas o que é direcionado a assuntos escolares não tendo desculpas para utilizar o celular dentro da sala de aula. Somente assim, a revolução digital deixará de prejudicar a aprendizagem dos jovens.