O uso do celular em sala de aula: ferramenta de aprendizagem ou de distração?
Enviada em 10/01/2022
Na série espanhola Control Z, é retratado um mundo onde as pessoas tem livre acesso ao celular durante o período das aulas. Ao longo da trama percebe-se que essa liberdade exacerbada acarreta em demasiada dispersão dos conteúdos lecionados. Fora da ficção, fica evidente que a problemática reflete também à realidade que enfrentamos nos dias atuais: o celular tem o potencial de se tornar uma ferramenta muito útil e didática se supervisionada corretamente, mas também pode se tornar um grande vilão se não houver regras, e consequentemente virar-se contra à retidão e concentração.
Antes de mais nada, é importante lembrar que o smartphone é uma ótima fonte de pesquisas, leituras digitais (ebooks), e aplicativos que podem auxiliar a desenvolver o assunto proposto na aula. Segundo o pedagogo francês A. D. Sertinllanges, não se deve julgar quem - ou o quê - nos ensina, e sim absorver o máximo de conteúdo possível daquela interação e assim construir um caminho próprio na construção do raciocínio. Por conseguinte, fica claro que este fabuloso objeto tem a potencialidade inexorável de nos servir de maneira positiva.
Ademais, vale ressaltar que, caso a utilização do aparelho seja feita sem acompanhamento e disciplina, levará o aluno não só a dispersão, mas também a dificuldade de retenção. De acordo com o professor Pier Luigi Piazzi, a utilização de telas sem o propósito específico de estimular a inteligência torna o estudante mais letárgico e atrapalha a cognição da memória. Soma-se a isso o alto nível de estímulos que uma tela proporciona, e temos a receita perfeita para o desinteresse em aprender de maneira ativa para construir pontes para o conhecimento. Portanto, fica evidente que existe a possibilidade de que o emprego de celulares durante as aulas pode ser contraproducente.
Assim sendo, é preciso que o Governo Federal faça-se presente na atual discussão para encaminhar a solução. Para o desenlace da questão, urge que o Ministério da Educação providencie pesquisas relacionadas ao uso de novas tecnologias em processos de aprendizagem, por meio de financiamento do BNDES, com o intuíto de esclarecer qual o melhor caminho a ser trilhado. Somente assim será possível escolher qual a melhor opção no uso de celulares em colégios. Um país que se preocupa com o desenvolvimento de novos métodos de estudo é uma pátria interessada na evolução de seu povo.