O uso do celular em sala de aula: ferramenta de aprendizagem ou de distração?

Enviada em 02/08/2022

A tecnologia como distração no ambiente educacional

Sem dúvidas os adventos da Guerra Fria possibilitaram uma disputa desenvolvimentista entre o Ocidente e o Oriente. Como resultado, ao final do século vinte surgiram diversas tecnologias, por exemplo: a internet, o GPS e os celulares. Primordialmente estes aparatos eram apenas de uso militar, entretanto com a consolidação do Capitalismo Informacional os civis passaram a ter acesso a estes novos mecanismos. Desse modo, não demorou muito para a humanidade se tornar totalmente dependente das novas tecnologias.

Ao passo que a globalização permitiu o estabelecimento de redes e conexões em todo o mundo, os ambientes educacionais certamente passaram a lidar com um problema: a distração dos alunos perante os celulares. Segundo uma pesquisa publicada pela Universidade de Oxford no jornal The Sun, o rendimento dos estudantes pode decair em até 75% com o uso dos telefones móveis em sala de aula. Além disso, o Instituto de Psicologia da USP publicou recentemente um artigo que evidencia o vício pelo celular em cerca de 85% dos jovens entre 15 e 24 anos. Portanto, permitir o uso de aparelhos tecnológicos nas salas de aula apenas alimenta a dependência pela internet e pelas redes sociais na juventude.

A posteriori, o sociólogo Pierre Bourdieu defendia que as instituições de ensino são vistas como prisões pelos alunos pois ignoram o capital cultural dos indivíduos e rompem com a vida fora do ambiente escolar. Sendo assim, ao liberar o uso de celulares em sala de aula e manter o modo tradicional de ensino, os estudantes indubitavelmente utilizarão os telefones móveis como válvula de escape da realidade acadêmica que não os agrada.

Em suma, para a introdução de tecnologias individuais nas escolas é de extrema importância que o Ministério da Educação (MEC) em parceria com a UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação) invista em reformas na educação básica, inserindo na grade curricular atividades, dinâmicas e novos métodos de ensino que despertem o interesse dos jovens em aprender e que transformem o ambiente escolar em um local agradável. Tudo isso combinado com palestras que abordem sobre o vício pelo celular são essenciais neste processo.