O uso do celular em sala de aula: ferramenta de aprendizagem ou de distração?

Enviada em 18/08/2022

A série mexicana “Control Z” passa-se em uma escola, na qual todos os alunos são extremamente conectados à seus celulares até mesmo em sala de aula, e através desse um “hacker” pratica diversas ameaças aos protagonistas, deixando-os muito abalados e prejudicando seus desempenhos escolares. Tal essência pode ser verificada na realidade brasileira, na qual diversos alunos praticam crimes cibernéticos - como o “cyberbullying”.Nesse contexto, percebe-se a configuração de um complexo problema, que se enraiza na base educacional lacunar e na busca por prazeres instantâneos.

Nesse contexto, em primeiro plano, é preciso atentar para a lacuna educacional presente na questão. Como diria Sêneca, “A educação exige os maiores cuidados porque influi sobre toda a vida”. Porém, tal pensamento não é posto em prática em muitas escolas, visto que o direcionamento do uso do celular em sala de aula é negativo, uma vez que alunos dispersam com seu uso, migrando pra redes sociais e jogos, e muitas vezes praticando “cyberbullying” com colegas de sala. Assim, urge que instituições de ensino tomem medidas cuidadosas para dissolver o problema em questão.

Outrossim, a busca por prazeres instantâneos é um entrave no que tange ao problema. Segundo Zygmunt Bauman, a sociedade moderna se pauta no imediatismo. Tal característica está presente como ferramenta de distração nas salas de aula, visto que os alunos simplesmente ignoram a aula sendo dada pelo(a) professor(a) para manipularem seus celulares com as mais diversas finalidades - longe do que está sendo ensinado em sala - pelo banal fato de estarem “entendiadas”, por exemplo. Dessa forma, há, como consequência, a dificuldade de intervir em um problema como esse sem agir em sua base sociocultural.

Portanto, é urgente intervir nesse problema. Para isso, o MEC deve elaborar um projeto a respeito do mau uso do celular em sala de aula, por meio de oficinas com especialistas no assunto, a fim de reverter a distração desse aparelho em sala de aula. Tal ação pode, ainda, propor atividades relacionadas às matérias de aula com os “smartphones”. Dessa forma, a essência de “Control Z” ficará somente nas telas.