O uso do celular em sala de aula: ferramenta de aprendizagem ou de distração?

Enviada em 24/08/2022

A série espanhola “Merlí” conta a história de um professor de filosofia que envolve os alunos em suas aulas e desperta nos mesmos a capacidade de pensar criticamente . No início do enredo, os estudantes frequentementem usam celulares durante as aulas, mas conforme os mesmos se entrosam com as discussões estimuladas pela personagem principal, os aparelhos deixam de ser a prioridade dos jovens. Paralelamente à ficção, o emprego dos smartphones nas escolas evidencia a distração dos estudantes e desperta a atenção dos educadores para novas formas retê-los presentes. Nesse sentido, faz-se necessária a análise do impacto desse objeto para a educação.

Sob esse viés, destaca-se que a utilização da tecnologia telefônica na sala de aula prevalece com o intuito de acessar informações que não dizem respeito ao ensino. De acordo com uma pesquisa realizada no Ensino Médio na cidade de Cuiabá, aproximadamente um terço dos adolescentes acessam seus smartphones por não terem atividades designadas. Dessa forma, o tempo que deveria ser despendido com a aprendizagem é gasto com conversas em redes sociais, o acesso à inúmeras informações e demais atividades que não contribuem para a formação pessoal. Nesse contexto, é essencial que os locais de ensino ressignifiquem o emprego dessa tecnologia, a fim de reverter esse preocupante quadro.

Ademais, cabe ressaltar que aplicativos e grupos de estudos virtuais podem ser admitidos para fortalecer a aprendizagem de forma lúdica. Segundo o filósofo Michel de Montaigne, a educação deve garantir a formação de indivíduos críticos. Com esse foco, os equipamentos tecnológicos podem propiciar o debate, estimulando a argumentação e a capacidade de lidar com opiniões diversas. Ainda, podem favorecer a análise de informações, a identificação de “fakenews” e estimular as tomadas de decisões baseadas em fatos verídicos, assim como ocorre na Finlândia, líder de educação mundial. Logo, o uso de celulares na sala de aula pode e deve promover aspectos positivos e produtivos.

Portanto, para que esses aparelhos contribuam para o aprendizado, é necessário que as escolas implementem grupos de debate virtuais, por meio dos quais os alunos serão instigados a averiguarem se uma determinada reportagem, exposta pelo educador, é verdadeira ou não. Nesses ambientes digitais, os jovens deverão defender seus pontos de vista sobre as temáticas apresentadas, com a finalidade de enriquecer o pensamento crítico e a dialética, assim como nas salas de aula do professor catalão.