O uso do celular em sala de aula: ferramenta de aprendizagem ou de distração?
Enviada em 23/10/2022
“É mais fácil desintegrar um átomo do que um preconceito”. Essa frase, do físico alemão Albert Einstein, representa com maestria a hodierna visão da sociedade no
que tange ao uso de celulares nas salas de aula no Brasil. Mesmo após a consolida-
ção da tecnologia quase onipresente no dia a dia das pessoas, essa resistência ao
seu uso no ambiente escolar persiste principalmente devido ao preconceito.
Mormente, convém discutir sobre a relevância da inflexibilidade de certa parcela
do corpo social acerca da questão. Nesse sentido, é importante salientar que há uma tendência natural de pais e professores, majoritariamente da geração Y, a ver os celulares como dispositivos danosos para o desempenho escolar, já que eles não tiveram acesso a esses aparelhos durante sua fase estudantil e, em sua maio-
ria, entendem que essas ferramentas são destinadas exclusivamente ao lazer, de-
vido a tendência dos jovens a utilizá-las para acessar redes sociais e jogos. Assim,
forma-se uma espécie de preconceito pois, de acordo com Arthur Schopenhauer,
as pessoas tendem a tomar os seus limites de visão como os limites do mundo.
Ademais, destaca-se que a adaptação da educação perante a revolução tecnoló-
gica e digital é inevitável. O uso de celulares se difundiu exponencialmente na era
contemporânea, sendo que já foi possível observar seus benefícios durante a pan-
demia recente, por exemplo, quando milhares de alunos puderam ter continuidade
nos estudos através de aulas remotas. Diante dessa perspectiva, ao considerar que
o uso eficiente desses aparelhos pode ser benéfico ao aprendizado e que eles já es-
tão amplamente inseridos no meio estudantil, é evidente que proibições são um
atraso para o desenvolvimento da educação. Conforme Michel de Montaigne, filó-
sofo francês, proibir algo é despertar o desejo. Dessa forma, entende-se que con-
trariar essa mudança é um grande retrocesso.
Portanto, é evidente que tais imbróglios devem ser solucionados. Para isso, cabe
ao Ministério da Educação, em parceria com o Conselho Federal de Educadores e
Pedagogos, fomentar campanhas de reciclagem para professores das redes públi-cas e particulares de ensino, por meio de cursos e palestras que ofertem capacita-
ção para que esses profissionais passem a integrar os celulares em suas práticas docentes da melhor maneira possível, a fim de modernizar sua atuação.