O uso do celular em sala de aula: ferramenta de aprendizagem ou de distração?

Enviada em 27/09/2023

A alegoria da caverna de Platão ilustra uma situação em que o homem é alheio à verdade, permanecendo na ignorância e no desconhecimento. Consoante à isso, pode ser traçado um paralelo entre o uso do celular em sala de aula e a metáfora platônica, de modo que os “smartphones” apresentam inúmeras ferramentas que

contribuiriam no aprendizado escolar e no entendimento do mundo, mas que, na sua inserção, apresentariam alguns problemas, como a adaptação ao ensino digital e a desigualdade no acesso aos recursos tecnológicos. Assim, é imperioso o debate sobre meios de adoção da tecnologia digital de maneira eficaz e democrática.

Primeiramente, é importante notar que a adoção de ferramentas digitais em sala de aula é uma tendência mundial, devido à portabilidade e interatividade inerentes aos aparelhos. Segundo o filósofo Pierre Lévy e seu conceito de “mundo interconectado”, a tecnologia progrediu muito, de modo que possibilitou a disseminação de informações simultaneamente. Nesse sentido, o uso de celulares seria uma maneira de complementar conceitos aprendidos na sala de aula de forma interativa e acessível, como na apresentação de “slides”, que podem ser compartilhados entre os alunos e professores de forma rápida.

No entanto, todas essas facilidades oferecidas pelas ferramentas digitais só ocorreriam na prática se todos tivessem acesso aos meios de difusão dessas informações, o que não acontece no Brasil. Com base no exposto, a fala do educador Paulo Freire “a educação, quando desigual, agrava os problemas sociais” pode ser aplicada na realidade brasileira, em que 70 milhões de pessoas vivem em insegurança alimentar, de acordo com a Organização das Nações Unidas de 2022. Portanto, não têm condições de adquirirem esses aparelhos, ficando à margem da sociedade.

Destarte, o Ministério da Educação deve incentivar a modernização do ensino no país, por meio de investimentos em aparelhos eletrônicos para escolas e para alunos em vulnerabilidade econômica, tais como computadores, projetores e celulares, com o intuito de melhorar e modernizar a educação no Brasil. Dessa maneira, o direito à educação de qualidade, inalienável a qualquer brasileiro, será garantido a todos.