O uso e a cobertura do solo no Brasil
Enviada em 03/03/2021
“Desenvolver primeiro e pagar os custos da poluição depois”. Esta frase, proferida durante a Conferência de Estocolmo – primeira convenção mundial sobre o meio ambiente, que ocorreu em 1972 – pelo ministro brasileiro José Costa Cavalcanti, demonstra o pensamento despreocupado do Brasil com relação à preservação ambiental até algumas décadas atrás. Hoje, embora a sociedade brasileira apresente curvas específicas de evolução, como a criação de frentes tal qual o Ministério do Meio Ambiente, ainda é possível observar o legado negativo presente em questões que concernem ao uso e a cobertura do solo brasileiro. Nesse sentido, é preciso que estratégias sejam aplicadas para reduzir as consequências dessa situação.
Primeiramente, cabe destacar o panorama histórico-político que influi no perfil da nação desde o início do século XV, marcado pela expansão marítima dos países europeus – que culminou na chegada dos portugueses à costa brasileira. Desde este momento, o Brasil serviu, durante várias décadas, como a principal maneira de obtenção de matéria-prima para os portugueses, que exportavam cada vez mais tesouros da sua então colônia sul-americana. Assim, por consequência do enraizamento de uma cultura de não-valorização dos bens nativos, além de um uso sistemático, predatório e perdulário dos recursos naturais, o Brasil sofre com um processo de desmatamento ininterrupto, reduzindo cada vez mais a área ocupada por florestas no Estado. Logo, fica evidente a negligência persistente tanto do governo quanto da população, no que refere-se à utilização e a cobertura do território brasileiro.
Em virtude disso, problemas como a desertificação do solo – processo onde a terra torna-se árida e infértil –, que impacta diretamente na produção de alimentos e disponibilidade de terras para a agricultura, são recorrentes e de difícil reversão. Tais problemas afetam grandemente a economia brasileira, visto que, segundo a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil, mais de 30% do PIB (Produto Interno Bruto) do país procede de atividades agropecuárias. Assim, sem um diálogo sério, massivo e prioritário sobre essa problemática, sua resolução é impedida.
Portanto, para melhorar a preservação ambiental quanto ao uso e a cobertura do solo brasileiro, é necessário que o Ministério do Meio Ambiente maximize a prioridade da temática e crie leis mais severas contra os infratores que não respeitam as legislações ambientais, seja por maiores multas, seja por exigência de reparação efetiva, a fim de reduzir a diminuição constante da área plantada no país. Para a promoção efetiva desta ação é imprescindível a divulgação massiva à população, que deve ser feita com o auxílio da mídia. Assim poderá ser dado um passo concreto rumo a um futuro sustentável no Brasil, que respeita a cobertura do solo brasileiro e respeita os seus habitantes.