O uso e a cobertura do solo no Brasil
Enviada em 23/02/2021
Um trem, contendo toda a população remanescente da Terra, trafega em movimento constante sobre um planeta totalmente congelado - resultado do uso indevido do solo e dos recursos naturais. Dessa forma, o filme “Expresso do Amanhã” retrata, além das mazelas sociais, o resultado trágico de um mundo descompromissado com a manutenção dos recursos naturais finitos. Dito isto e, dando enfoque à realidade brasileira, a urbanização acelerada das últimas décadas, somada ao aumento da demanda por alimentos, tem mudado o mapa de uso e cobertura do solo sem o devido planejamento e, portanto, merece uma abordagem eficaz.
Mediante tais fatos, cabe dizer que, a partir da década de 70, momento em que a população urbana ultrapassou a população rural, deu-se início às mudanças supracitadas, sendo que hoje, cinco décadas depois, essa população chega a 85% (IBGE, 2015). Foi então que os espaços naturais começaram a dar lugar aos artificiais - a urbes.
A fim de atender a demanda sempre crescente pela produção de alimentos, as florestas começaram a dar lugar às pastagens. Nesse sentido, Chico Mendes, ativista ambiental, ainda na década de 70, já alertava para as implicações dessas mudanças, tanto do ponto de vista social, como ambiental, caso se desse de maneira irresponsável, o que, infelizmente, ocorreu e ocorre até nos dias atuais.
Assim sendo, mesmo com a criação do código florestal e, anos depois, da Agenda 21, a legislação ambiental brasileira permaneceu frágil e à mercê do interesse econômico. Diante disso, é necessário que o Congresso Nacional melhore o texto do Art. 225 da Constituição Federal, a fim de esclarecer sobre as ações, os agentes e os meios, pelos quais, será efetivamente possível garantir o ambiente ecologicamente equilibrado às futuras gerações. Tal alteração deve vir acompanhada da participação dos principais setores da sociedade, por meio de audiências públicas, com o fito de garantir que, mesmo em um futuro distante, seja possível enxergar o planeta como Caetano o fez em sua música “Terra” - com orgulho.