O uso e a cobertura do solo no Brasil
Enviada em 13/04/2021
Na obra “Utopia”, escrita por Thomas More, é retratada uma sociedade ideal e padronizada pela ausência de adversidades. Diferente do que se é exposto no livro, percebe-se, evidentemente, que, no Brasil contemporâneo, o uso e a cobertura inadequada do solo, principalmente pela agricultura, é uma grande e persistente problemática. Tal cenário ocorre devido à escassez de leis que impulsionem o rigor na utilização da terra e à ineficiência do sistema de ensino do país.
A princípio, entende-se que, de acordo com John Locke, filósofo contratualista, a propriedade privada deve ser regulamentada e fiscalizada pelo governo, logo, o uso do solo tem que ser um assunto prioritário na agenda do Estado. Porém, é incontestável que o poder público, em especial o sistema legislativo, faz-se ausente na criação de leis que delimitem, rigorosamente, a utilização e a cobertura da terra, que resulta, por conseguinte, na predominância de metodologias insustentáveis por parte de agricultores e outros dependentes de terrenos agricultáveis. Assim, tal circunstância leva ao empobrecimento e perda de biodiversidade do solo, como mostra um levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que evidencia a destruição de 7,5% das florestas brasileiras entre 2000 e 2016.
Ademais, cabe destacar a influência da fragilidade educacional, que se configura como um obstáculo ao uso sustentável do território brasileiro. Nesse sentido, ganha relevância a perspectiva de Paulo Freire, educador, ao defender que a metodologia escolar deve valorizar, principalmente, a obtenção da criticidade. Dessa forma, o ensino das instituições de ensino deve ser atualizado, de modo que os alunos compreendam as melhores maneiras de manusear o solo, conforme as delimitações propostas pelo sistema legislativo.
Portanto, o desenvolvimento de propostas para equacionar o uso e a cobertura do solo no Brasil é urgente. Sob essa perspectiva, o Ministério da Educação e Cultura (MEC) deve, por meio de anexos à Base Nacional Comum Curricular (BNCC), fomentar atividades didáticas - como aulas práticas e palestras com engenheiros ambientais - que auxiliem os alunos a adquirirem habilidades que os permitam utilizar o solo de maneira sustentável, além de conscientizar pais e responsáveis a respeito do tema. Com isso, espera-se haja uma maior criticidade no uso do solo e a utopia proposta por More se aproxime da realidade brasileira.
- CONSIDERE COMO 30 LINHAS, FOI O QUE DEU NA FOLHA DE REDAÇÃO.