O uso e a cobertura do solo no Brasil
Enviada em 10/05/2021
“A terra está morrendo, não dá mais pra plantar”. O trecho da música “Xote ecológico”, do cantor e compositor Luiz Gonzaga, faz alusão à precariedade do solo no sertão brasileiro. Todavia, esse fenômeno não fica restrito à região nordestina, haja vista que a falta de negligência com a terra e a falta de conhecimento nesse âmbito são fatores que desencadeiam essa condição, configurando-o como um problema global. Desse modo, é lícito afirmar que a postura social e estatal contribuem para a perpetuação desse cenário negativo.
Em primeiro lugar, é perceptível a importância da cobertura vegetal para a continuidade da vida e a manuntenção dos serviços ecossistêmicos. No entanto, evidencia-se, por meio do corpo social, o descuido com a terra e o aumento da degradação. Essa lógica pode ser comprovada pelo estudo feito em 2016, coordenado pela Organização das Nações Unidas, revelando que cerca de 30% dos solos do mundo não possuem mais vegetação devido às ações antrópicas. Em consequência, danos duradouros, que ameaça o papel fundamental do solo no ecossistema, como o sequestro de carbono e a produção de água, ficam cada vez mais evidentes no cenário mundial.
Outrossim, é válido ressaltar a importância da forma com que o solo é utilizado e ocupado na contemporaneidade. Acerca disso, deve-se ponderar a frase “Conhecimento é poder”, proferido pelo filósofo inglês Francis Bacon, uma vez que, a insciência é o que leva a sociedade a situações extremas. Com isso, mesmo com o aumento da demanda de estudos relacionados ao uso do solo, essa ciência ainda está longe do alcance dos cidadãos, uma vez que, projetos que tem a função de instruir a sociedade, mostrando as particularidades de cada solo e as formas de conservação, não são difundidos na íntegra. Dessa forma, a falta de conhecimento auxilia na manuntenção desses paradigmas.
Infere-se, portanto, que a má utilização do solo, ocasionado pela inadequada gestão dos diferentes solos, causa danos futuros que interferem na sociedade como um todo, logo, é preciso melhorias nesse âmbito. Para isso, é essencial que o Ministério do Meio Ambiente, responsável por adotar princípios e estratégias de conservação, em conjunto com o Governo Federal, auxiliem na manutenção e conservação do solo por meio da criação de orgãos responsáveis pela fiscalização e julgamento dos projetos relacionados à ocupação do solo nas diferentes regiões do país, com intuito de amenizar as ações antrópicas e promover políticas conservativas. Além disso, a adoção de campanhas que auxilie a população a reconhecer os diferentes tipos de solo e seus cuidados é fundamental para resolução do impasse de forma íntegra. Dessa maneira, cenas como as cantadas por Gonzaga serão amenizadas.