O uso e a cobertura do solo no Brasil

Enviada em 03/05/2021

‘‘O mais escandoloso dos escândalos é o que nos habituamos a ele’’. A afirmação, atribuída à filósofa francesa Simone de Beauvoir, pode ser facilmente associada ao uso e cobertura descontrolados no território brasileiro, já que mais escandoloso do que os impactos socieambientais provocados por essa problemática, é o fato da passividade do Estado em relação à utilização e ocupação descontrolada do solo pelas atividades humanas. Desse modo, o avanço da agricultura e a expansão urbana descontrolada são entraves a serem debatidos e mitigados.

Em primeiro lugar, é importante analisar como o uso do solo pelas atividades agrícolas compromete a cobertura vegetal das paisagens. Isso porque, com o avanço da fronteira agrícola no território nacional, com destino do sul ao norte, o cultivo intensivo da monocultura de soja alterou a dinâmica de ocupação e de alteração das paisagens naturais. Nesse sentido, o desmatamento com o avanço dessas atividades e o uso intenso do solo provocam a consequente destruição da cobertura vegetal e o esgotamento das terras cultiváveis. Logo, a fauna e a flora do eixo de sul ao norte do Brasil são prejudicadas com a ocupação desordenada das atividades ligadas ao agronegócio. Por isso, cabe ao Estado tomar medidas para conservar o meio ambiente nacional.

Em segundo lugar, cabe ressaltar que a falta de planejamentos da expansão urbana é outro fator que compromete o uso adequado da cobertura do solo nacional. Isso se dá devido à industrialização dos grandes centros urbanos após 1970, o que provocou um intenso êxodo rural e o crescimento desornedado das grandes cidades. Dessa forma, a cobertura do solo foi fortemente alterada na tentiva desesperada para comportar a enorme carga de trabalhadores que chegavam do ambiente rural. Consequentemente, isso gerou a expansão das áreas periféricas e o intenso desmatamento e destruição de camadas naturais, o que é recorrente até os dias atuais. Logo, cabe às instituições políticas promoverem o planejamento adequado para a expansão urbana.

Portanto, infere-se que assegurar o avanço controlado da agricultura e o crescimento urbano ordenado são medidas para ateunar a porblemática, por isso, cabe ao Estado efetivá-las. Sendo assim, o Ministério da Agricultura deverá criar um projeto de controle ao avanço da fronteira agrícola, por meio da delimitação de territórios produtivos, com o intuito de minizar os impactos da destruição da cobertura vegetal do solo. Além do mais, as prefeituras da grandes cidades devem criar políticas de planejamento urbano, por meio de análises e estudos das condições geográficas no raio da cidade, com a finalidade de garantir uma expansão que minize o uso intenso do solo. Por fim, tais medidas atenuarão os impactos da problemática.