O uso e a cobertura do solo no Brasil

Enviada em 16/05/2021

A colonização portuguesa introduziu no território brasileiro um modelo de exploração predatório, já que foi capaz de reduzir consideravelmente a cobertura da Mata Atlântica em nome da extração do pau-brasil e do plantio de cana-de-açúcar. Portanto, na contemporaneidade, persiste a utlização inconsequente do solo do Brasil e a retirada da cobertura natural por parte dos seus cidadãos, pois não só o espaço litorâneo encontra-se devastado, como também os biomas do interior do país estão ameaçados. Dessa forma, tal cenário é gerado tanto por uma fiscalização ineficiente do Estado quanto pelo papel do agronegócio na poluição da terra por agrotóxicos, no desmatamento e nas queimadas.

Primeiramente, a ausência de uma atuação eficaz do Estado no monitoramento do manejo do solo é fruto de uma cultura individualista despreocupada com as questões ambientais. Consoante Yuval Harari, a cultura é um parasita mental instalado involuntariamente na cabeça dos indivíduos, sendo capaz de causar a morte de seu hospedeiro. Logo,  a preservação dos recursos naturais e seu incentivo pelo poder público refletem diretamente no uso consciente da terra, na manutenção dos biomas e na qualidade de vida das próximas gerações do Brasil. Assim, são necessárias ações estatais para reduzir o caráter depredador da ação humana presente desde o início da colonização portuguesa da América.

Outrossim, o agronegócio, ao incentivar o uso de técnicas para aumentar os lucros, como os agrotóxicos, o desmatamento e as queimadas, apresenta sua contribuição no uso inconsequente do solo e na destruição de sua cobertura vegetal. Desse modo, a Revolução Verde, ocorrida no século XX, ao ampliar o acesso a insumos agrícolas, como os pesticidas, também foi responsável por aumentar os impactos sobre a terra, os corpos de água e a fauna nativa. Dessa maneira, sendo a agricultura a base econômica brasileira, sobretudo a agricultura de exportação, realizada pelos latifúndios, é inegável a responsabilidade que essa atividade apresenta na degradação dos biomas do Brasil.  Consequentemente, tal setor fortalece o modelo de exploração destrutivo introduzido por Portugal.

Diante disso, para minimizar o uso inconsequente do solo e a retirada da sua vegetação, é dever dos Ministérios do Meio Ambiente e da Agricultura criar o Plano de Preservação do Solo, que, por meio da construção de unidades nas áreas rurais, administradas por profissionais capacitados, encarregadas de efetuar o monitoramento das atividades econômicas, principalmente as agrícolas, irá não só ampliar a participação estatal na fiscalização do uso do solo, assim como prevenir o efeito destruidor da agropecuária sobre o meio ambiente. Tais unidades deverão permitir também a realização de denúncias por parte da população local, a fim de ampliar os mecanismos de vigilância. Em suma, por essas vias, o Brasil cuidará de seus biomas e reduzirá o caráter predatório da ação humana sobre o país.