O uso e a cobertura do solo no Brasil

Enviada em 18/05/2021

Quando se trata do uso e da cobertura do solo no Brasil o tema da industrialização é incontornável. Visto que, no início do século XX a economia ainda era majoritariamente agrária a implementação de indústrias foi acelerada para acompanhar outros países, acarretando no êxodo rural e, consequentemente, no inchaço urbano. Por conta disso, os brasileiros lidam até hoje com a ocupação desigual das cidades que segregam a população, além do desmatamento, causado pela má distribuição de terras no campo.

Em primeiro plano, é inegável a tremenda desigualdade que assola a população urbana do Brasil. Tal situação é retratada no filme Cidade de Deus, o longa, baseado em fatos reais, narra o surgimento de uma comunidade no Rio de Janeiro e os conflitos ali vividos. Contudo, essa realidade não é isolada e se alastra pelo país formando ilhas de populações com maior poder aquisitivo, cercadas por áreas onde direitos básicos, como o saneamento, não são contemplados. Dessa forma, é possível constatar uma grande segregação no solo brasileiro.

Em segunda análise, é importante frisar que as problemáticas da utilização da terra no Brasil não estão limitadas ao âmbito social, atingindo também o meio ambiente. Desde o período das capitanias hereditárias grandes porções de território foram delegadas a poucos indivíduos e essa realidade, agravada pela Lei de Terras em 1850, segue em voga até hoje com o agronegócio. Esse fato é prejudicial, pois leva à perda de cobertura vegetal, por consequência de biodiversidade, em nome da venda de commodities para o lucro da burguesia.

Assim, é possível concluir que o Brasil enfrenta sérios problemas relacionados ao uso e cobertura do solo, desde as desigualdades no cenário urbano, até o extermínio da flora e da fauna nacional pelos latifundiários. No entanto, ainda podem ser tomadas medidas para reverter esse quadro. Cabe ao Governo elaborar políticas públicas de auxílio a moradia e impor um limite rigoroso para a exploração de recursos naturais, reforçando a legislatura existente para penalizar corporações que ameaçam o meio ambiente. Dessa forma, o país caminhará para uma utilização mais saudável do solo.