O uso e a cobertura do solo no Brasil
Enviada em 26/05/2021
O filme Wall-e, da empresa cinematográfica DreamWorks, tem por detrás da trama romântica entre o robô reciclável de mesmo nome e E.V.A., uma andróide de tecnologia superior, a forte crítica ao abuso da superfície terrestre, tendo em vista que, a missão principal das personagens animadas é encontrar uma única espécie vegetal sobrevivente no planeta Terra, o qual, no ano em que a animação se passa, está sucumbindo em destroços e resíduos humanos, sem nenhuma paisagem natural registrada restante. Desse modo, é visível que o uso do solo, se não controlado, pode acarretar em problemas socioambientais, econômicos e geopolíticos. No Brasil, essa realidade já é notável, portanto, medidas preventivas necessitam ser impostas na atualidade, para assim evitar crises ambientais futuras.
Incontestavelmente, sem a natureza, a produção de bens e o consumo humano seriam impossibilitados ou reduzidos quase totalitariamente, visto que a maior parte das matérias-primas e produtos alimentícios têm origem desta. Consequentemente, a partir da falta desses recursos, as desigualdades sociais se ampliariam, ademais das taxas de desnutrição e, por conseguinte, as de mortalidade. Uma vez que múltiplos fatores prejudiciais à sociedade têm frequente ocorrência, objeções da população para com órgãos governamentais tendem a aumentar, resultando assim, em tensões políticas, as quais podem dar lugar a revoluções, tal como a Revolução Francesa no século XVIII, que teve como uma de suas principais causas a crise alimentícia ocasionada pelas más colheitas.
Em contrapartida, boas colheitas podem ser sinônimo de problemas ambientais, já que essas decorrem do desmatamento para a obtenção de terrenos agrários e, posteriormente, da absorção de nutrientes do solo. Exemplificando, a atualização dos dados sobre o Monitoramento da Cobertura e Uso da Terra do Brasil, realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2018, a qual compara dados a respeito da cobertura vegetal e utilização do solo brasileiro respectivos dos anos de 2000 e 2016, revela, através dos cartográficos publicados, redução na área da mata nativa e aumento de terrenos com fins agropecuários no estado do Mato Grosso.
Em suma, o uso do solo no Brasil tem de ter restrições, enquanto a proteção da cobertura nativa do mesmo, ampliada. Para isso, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento poderia, através da criação de novas leis a respeito da ocupação territorial com propósitos agrícolas, limitar a extensão terrena utilizada de acordo com as etapas e objetivos de produção do agropecuário, como total produzido e destinatário de vendas. Ao mesmo tempo, o Ministério do Meio Ambiente decretaria, por meio de acordos estatais, novas áreas sob proteção ambiental, fazendo dessas proibida a intervenção humana.