O uso e a cobertura do solo no Brasil

Enviada em 24/07/2021

A desigualdade social no Brasil possui origens históricas. No momento em que houve a chegada dos portugueses à orla oeste do continente sul-americano, houve também o encetamento de uma era de desigualdade social que perdura até o hodierno, e ela pode ser averiguada por um olhar crítico às sociedades dos séculos subsequentes à chegada. Assim sendo, há, no contemporâneo, indeléveis reflexos da ausência de paridade social, que foi há muito tempo criada, e um deles é o uso da terra, o qual é, no contexto nacional, problemático por dois precípuos fatores: as moradias irregulares e a concentração fundiária.

A priori, necessário se faz pontuar que, sendo um fato histórico, o processo de favelização não pode ser excluído da sociedade brasileira de modo célere. Entretanto, apesar da impossibilidade de extinção rápida, pode-se averiguar o por que de ele existir: em virtude dos altos custos de estadia em casas que se encontram em lugares adequados à vida, inúmeros civis buscam, em função do baixo ou inexistente custo para morada, ermos e insalubres lugares para viverem, o que os leva, por conseguinte, a se alocar em locais irregulares e inóspitos. Assim, é notável que um dos problemas do uso do solo no Brasil é a irregularidade de alguns locais onde são feitas casas, uma vez que, por conta dela, os indivíduos que nesses lugares moram se encontram suscetíveis a enchentes, alagamentos, deslizamentos e outros fenômenos naturais com potencial destrutivo.

Além disso, também é, a posteriori, fulcral se elucidar que, como mostrara, em seus estudos, Karl Marx, a maioria do capital é detida pela minoria da sociedade. Isso posto, há de se abstrair que o proposto por Marx se reflete na atual conjuntura que paira sobre os solos brasileiros: o montante de proprietários de longínquas terras é exíguo quando comparado ao tamanho delas. Em função dessa realidade de concentração fundiária, não há a utilização produtiva do solo, o qual fica, de tal modo, imiscuo no esquecimento, não sendo usado para produzir algo de modo sustentável e, assim, não sendo profícuo ao meio social brasileiro.

Portanto, há de se concluir que os solos brasileiros são usados de modo errôneo, e os motivos para tal assertiva estão acima citados. Portanto, deve o governo, composto pelos mandatários incumbidos de assegurar o bem cívico, pesquisar, por meio da destinação de verbas para os órgãos que cuidam do solo – tal como o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais -, sobre os defeitos e irregularidades do solo nacional, com o fim de, máxime, fazer com que haja a correção dos problemas dele. Feito isso, o Brasil será neófito na boa utilização do solo.