O uso e a cobertura do solo no Brasil

Enviada em 19/10/2021

O sociólogo Émille Durkheim definiu a sociedade como um organismo biológico cuja parte em disfunção ocasiona o colapso de todo sistema. Sob tal ótica, é evidente que o mau uso e a má ocupação do solo no Brasil, sobretudo no contexto atual, representam um pilar defeituoso do corpo social que pode trazer danos a todo ecossistema natural brasileiro, o que configura um grave problema ambiental. Isso se explica não só pelo desmatamento de áreas florestais, mas também pela poluição gerada por insumos químicos. Assim, é essencial analisar esses fatores para liquidar o impasse.

A princípio, é imperioso destacar que o tema em questão é fruto da destruição de florestas. A esse respeito, torna-se fulcral ressaltar que a insuficiente fiscalização governamental é o principal fator que intensifica essa problemática. Isso porque, sem que haja o monitoramento de áreas destinadas à agropecuária, o descumprimento de leis ambientais é extremamente facilitado, o que resulta na destruição de espaços florestais importantes em prol da obtenção de mais lucro. Prova disso, é intensificação da expansão da fronteira agrícola que ocorre nos dias atuais, a qual se desloca rapidamente do Centro-Oeste em direção à Região Norte, causando a destruição da floresta amazônica, o embate contra povos indígenas pelo território e favorece a caça ilegal de animais silvestres.

Outrossim, a discussão em curso deriva ainda da poluição pelo uso de pesticidas e agrotóxicos. Nesse contexto, durante a segunda metade do século XX, a Revolução Verde trouxe inúmeras melhorias ao campo por desenvolver técnicas que aumentam a produtividade do solo, como o uso de químicos. Entretanto, novamente, com a falta de fiscalização estatal, agricultores utilizam tais insumos em excesso, de forma incorreta, para potencializar a venda de seus produtos. Consequentemente, observa-se a intensificação dos impactos ambientais causados por esse mau uso, como a contaminação de lençóis freáticos e a poluição de rios, o que causa a morte de muitos animais e a perda de biodiversidade. Logo, a alteração desse quadro deve ocorrer de imediato.

Dessarte, de modo a mitigar os efeitos do mau uso e da má ocupação de solo no Brasil, medidas devem ser tomadas. Primeiramente, cabe ao Ministério da Agricultura, em parceria com IBAMA, elevar o monitoramento sobre a atividade agropecuarista. Isso deve ser feito por meio do investimento na construção de mais postos de observação em locais com florestas - os quais devem ter equipamentos modernos que auxiliem os profissionais - para que diminua a ocorrência do excesso de desmatamento e para que os responsáveis sejam punidos. Ademais, compete a esses mesmos órgãos a fiscalização mais rígida do uso de agrotóxicos e de pesticidas, a fim de que a dose permitida e sustentável não se exceda e o ecossistema desses locais seja devidamente preservado.