O uso e a cobertura do solo no Brasil

Enviada em 08/11/2021

Segundo o Relatório Brundtland, o desenvolvimento sustentável só pode ser alcançado na medida que o progresso humano converge com a preservação ambiental e com a sustentabilidade. Sob essa ótica, o uso apropriado dos solos torna-se fundamental para garantir os ideais difundidos por esse relatório. Nesse sentido, o manejo adequado do solo é essencial para a proteção dele e da sua cobertura, haja vista o potencial dessa prática de conservar a fauna e a flora do país, bem como de favorecer a revitalização dos solos. Assim, são prementes estratégias para melhorar o uso desse recurso brasileiro, em nome do desenvolvimento sustentável.

A princípio, é importante ressaltar como a preservação da fauna e da flora é crucial. Nessa perspectiva, na visão do biólogo Charles Darwin, em um ecossistema, os fatores abióticos mantêm uma relação de interdependência com os fatores bióticos para assegurar a ordem e o equilíbrio ambiental. A partir dessa visão, é notório que a qualidade dos solos está relacionada com a preservação dos seres vivos que nele e sobre ele vivem. Isso se deve ao fato de que a dinâmica ecológica de um ecossistema é influenciada pelas relações entre os seres vivos e o ambiente, sendo elas fundamentais para proteger e conservar a riqueza dos solos, conforme é visto pelo fenômeno de assoreamento, em que a erosão corrói o solo e altera a dinâmica dos rios por conta da ausência de vegetação. Dessa forma, é evidente o potencial do uso cauteloso dos territórios de manter a ordem ecológica e as proteções naturais do solo brasileiro.

Ademais, as medidas de melhor manuseio do solo são essenciais para promover a revitalização da cobertura já deteriorada. Nesse contexto, na visão do filósofo Hans Jonas, uma ação ética é aquela comprometida com os efeitos coletivos e futuros que ela desencadeia. Dito isso, nota-se que o uso da ética ambiental na utilização dos solos é necessária para mobilizar a sua revitalização a longo prazo. Isso porque essa postura gera ações fundamentais para tornar o solo novamente aproveitável, como a prática da rotação de culturas, o fornecimento de minerais ao solo e a irrigação adequada, de maneira a evitar processos erosivos e conservar a riqueza e a integridade dos solos. Dessa maneira, em virtude de práticas mais éticas e sustentáveis de emprego dos solos, torna-se viável a sua revitalização e a sua preservação.

Portanto, enquanto o progresso industrial e econômico não estiver alinhado com o respeito aos seres vivos e à adoção de medidas de conservação do solo, este último não poderá ser integralmente conservado. Logo, é mandatório que o Ministério do Meio Ambiente intensifique a fiscalização das rígidas leis ambientais que vigoram no país, por meio da contratação de novas empresas de vigilância com um histórico de comprometimento com a ética ambiental, a fim de que as ações necessárias para proteger o solo sejam tomadas. Com isso, poderá ser possível aproximar o atual manuseio dos solos com as diretrizes estipuladas pelo Relatório Brundtland.