O valor da educação nas transformações sociais no Brasil
Enviada em 08/07/2020
Francis Bacon, filósofo britânico, em “A Grande Instauração”, evidencia o desejo em reformar a filosofia, a ciência e a política de seu tempo. Ao passo que declarou, no século XVI, que o conhecimento em si mesmo é um poder. Nesse sentido, urge a importância, na contemporaneidade, de analisar a questão do valor da educação- uma forma de obtenção de conhecimento- nas transformações sociais no Brasil. Desse modo, nota-se a prevalência dos problemas do ensino tecnicista, além da não consonância perante os dispositivos constitucionais e a realidade exposta.
A princípio, o pedagogo Paulo Freire salientou sobre a importância de desenvolver nos ambientes escolares uma pedagogia libertadora, uma alusão ao estímulo de uma visão crítica do estudante objetivando avanços sociais. Entretanto, percebe-se a prevalência, principalmente nas escolas públicas, de um ensino tecnicista que expressa-se não só na falta de um pensamento cognitivo amplo do estudante, como também a ausência de uma leitura fluida por alunos que já são considerados formalmente alfabetizados, como relatam os dados da Prova Brasil. Dessa maneira, ao compreender que tal cenário fomenta a baixa qualificação profissional do indivíduo e destina-o, intuitivamente, a subempregos, os emblemas relacionados ao ensino tradicional precisam ser solucionados.
Outrossim, o filósofo Henrique de Lima, no ‘‘Enigma da Modernidade’’, dissertou que apesar de a sociedade ser avançada em suas razões teóricas, é, por sua vez, primitiva em suas razões éticas. Tanto que pode-se traçar um paralelo entre a Constituição de 1988- a qual estabelece que toda criança e adolescente possuem o direito ao acesso à educação de qualidade- e a realidade que expressa uma contrariedade, seja pelo relatório, em 2017, divulgado no Pnad (Pesquisa nacional de amostra de domicílios) sobre a permanência da evasão escolar no Brasil, seja pela inoperância do Estado para transformar tal situação. À vista disso, verifica-se uma dissonância ante a Carta Magna e a narrativa factual, a qual compromete a ação da educação como uma ferramenta social.
Logo, é necessário que o Estado mude esse quadro. Para tanto, é fundamental que o Poder Executivo realize políticas públicas por meio de verbas governamentais, com a finalidade de resolver as questões associadas à educação. Ademais, é imprescindível que esses programas sejam feitos assim: criar, aliado à mídia, campanhas publicitárias, mediante depoimentos de pedagogos, a fim de relatarem os benefícios da pedagogia libertadora para o aluno; elaborar, associado ao Ministério da Educação, cursos de qualificação destinado aos professores, com o intuito de capacita-los com medidas que venham a auxiliar no combate à evasão escolar. Dessa forma, obter-se-á o valor da educação nas transformações sociais, dado que conhecimento é poder.