O valor da educação nas transformações sociais no Brasil

Enviada em 30/07/2020

Os sofistas, na Grécia Antiga, eram pensadores que viajavam lecionando gramática, retórica, valores e ensinamentos aplicáveis aos gregos, contudo, foram alvos de reprovações por parte da sociedade em razão do valor que eles cobravam por lecionarem. É indubitável que a veracidade aplicada pelos sofistas é pertinente ao contexto sócio-educacional e cultural no Brasil do século XXI, tendo em vista que a educação e a cultura são direitos expressos na Constituição Federal de 1988, o qual necessita de uma real aplicação por todos os entes federativos responsáveis.

Embora a educação e a cultura tenham previsão legal na Carta Magna de 1988, nota-se que há uma discrepância entre o texto constitucional e realidade vivida no Brasil, principalmente por aqueles que não possuem uma confortável situação financeira. Nesse viés, é de suma importância destacar que a educação em caráter escolar e cultural vão de acordo com a condição financeira do brasileiro, pois conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, apenas um terço de crianças e adolescentes até 14 anos não possuem nenhum acesso aos centros culturais. Logo, nota-se que a extrema pobreza leva ao aumento da evasão escolar, evidenciando, dessa maneira, que o poder público negligencia a educação  e elitiza o acesso aos demais centros culturais no país em razão do valor cobrado pela oferta de entretenimento cultural.

Ademais, como dito por Sérgio Buarque de Hollanda, em seu livro “Raízes do Brasil”, a segregação social é presente nos dias atuais, pois há privação do acesso à cultura para a  periferia brasileira. De tal maneira, os conhecimentos que não são ofertados pelas instituições de ensino deveriam ser destacados pelo oferecimento de cultura e demais benefícios dela decorrentes. Contudo, além de não possuírem ampla visibilidade, existe, também, a ausência de recursos destinados à capacitação dos profissionais da educação alinhado ao conflito de ideologia política. Assim, tornou-se mais fácil culpar a ideologia política do que oferecer soluções práticas e efetivas para uma sociedade rica de cultura.

Diante do exposto, é necessário que o Ministério da Cultura seja recriado para existir um efetivo alinhamento com o Ministério da Educação. Posto isto, o Governo Federal deve, por meio da Lei de Diretrizes Orçamentárias, destinar recursos financeiros às Secretarias de Educação Estaduais, bem como, deverá juntamente com as intuições de ensino e centros culturais desenvolver cursos, palestras e informes sobre a educação e que seja demonstrada a vasta cultura brasileira presente nas cinco regiões, enfatizando, também, a importância da cultura dos colonizadores e da imigração que floriu de cultura o Brasil. Assim, a situação vivida na Grécia Antiga será afastada da realidade brasileira, pois,como bem disse o filósofo Platão: “O mais alto nível de educação, é a tolerância.”