O valor da educação nas transformações sociais no Brasil

Enviada em 12/07/2020

O artigo 205 da Constituição Federal assegura que a educação é um direito de todos e dever do Estado, o qual deve criar meios de acesso a ela, de modo que os cidadãos, paralelamente à etimologia da palavra educação, do latim, “tornar-se elevado”, possam ascender socialmente. Entretanto, o poder de transformação social oriundo desse processo não se manifesta  na vida de todos os brasileiros, seja pelo precário acesso às redes de ensino por parte da população, seja pelo método pedagógico tradicional que pouco evolui nas escolas do país.

Em primeiro plano, nota-se que, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 28,2% da população brasileira não tem acesso à educação. Sob essa óptica, conforme o pensamento de Paulo Freire, educador brasileiro, de que “se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela, tampouco, a sociedade muda”, esse percentual de brasileiros é assolado pela privação dos efeitos que a instrução educacional pode trazer para a vida do indivíduo. Assim, o aprimoramento pessoal e profissional oriundos de uma educação sólida e determinantes para uma melhor qualidade de vida são freados pelas baixas oportunidades de inserção no ambiente escolar.

Ademais, é válido pontuar a lenta evolução dos métodos de ensino aplicados nas escolas brasileiras, sendo estes centrados na figura do professor, o qual escreve em um lousa seus conhecimentos e os alunos são meros espectadores da informação, fator que não contribui para o desenvolvimento do senso crítico, fundamental para despertar uma consciência cidadã. Dessa forma, a aprovação nas provas aplicadas torna-se o único objetivo, e, muitas vezes, as vocações particulares dos alunos não são identificadas, fazendo com que o estudante saia do ensino médio sem um objetivo claro sobre qual carreira profissional deve seguir.

Portanto, é mister que o Estado tome providências cabíveis para solucionar esse quadro. Destarte, cabe ao Ministério da Educação (MEC) reformular o atual sistema pedagógico, por meio do envio de um plano de ensino para as escolas, o qual trace detalhadamente a postura que o professor deve ter em sala de aula para tornar o aluno mais crítico e participativo, com o fito de aprimorar a função das instituições de ensino de formar cidadãos mais conscientes. Por fim, o MEC ainda deve recrutar educadores e governantes municipais e estaduais para identificar os locais onde a escolaridade é mais baixa, de modo a direcionar verbas governamentais para a construção de novas escolas nessas regiões, no intuito de garantir o pleno acesso à educação no país, conforme a Constituição determina.