O valor da educação nas transformações sociais no Brasil
Enviada em 31/07/2020
Escrito em 1936 por Jorge Amado, o livro “Mar Morto” traz a narrativa da professora Dulce, que trabalha assiduamente na educação dos filhos dos pescadores, esperando tirá-los da situação de miséria. No entanto, fora da ficção, o sistema educacional brasileiro parece não receber a devida atenção, apesar de seu impacto transformador. Sob essa perspectiva, é válido averiguar como a negligência do Poder Público e indiferença populacional interfere diretamente no imbróglio.
Em primeiro plano, cabe avaliar a omissão estatal como fator corroborante da problemática. Segundo o filósofo Michel Foucault, existe uma série de micropoderes os quais são exercidos cotidianamente e influenciam na construção social. Diante disso, infere-se que o Estado mostra-se displicente quanto ao investimento em políticas públicas educacionais, o que contraria as determinações da Carta Magna. Assim, a desigualdade de ensino é, ainda, muito presente no país.
Ademais, é indispensável salientar a passividade da população como catalisador do empecilho. De acordo com o pensador Karl Marx, a função social da educação seria combater a alienação e desumanidade. Nesse sentido, depreende-se a inatividade da sociedade civil alicerçada no comodismo da estratificação socioeconômica. Dessa forma, a falta de acessibilidade ao conhecimento institucional pelos indivíduos vulneráveis, não faz parte das prioridades cidadãs.
Portanto, indubitavelmente, é preciso que o valor da educação nas transformações sociais seja majorado no Brasil. Para tanto, cabe ao Ministério da Educação, atuar em prol dos estudantes, por intermédio de uma reforma curricular, principalmente em áreas marginalizadas, com o fito de garantir o ensino à todas as classes sociais. Dessa maneira, ter-se-á uma nação verdadeiramente transformada como os filhos dos pescadores no livro " Mar morto".