O valor da educação nas transformações sociais no Brasil

Enviada em 10/08/2020

O filme “Escritores da Liberdade” apresenta a mudança que uma professora proporcionou na vida de seus alunos, os quais eram rebeldes e sem vontade de estudar e, com ela, aprenderam, além da matéria, a lidar com as diferenças e a respeitar o próximo. Analogamente à ficção, na realidade, a educação também é um veículo de mudança social. No entanto, o sistema de ensino brasileiro não apresenta seu papel de maneira efetiva nas transformações na sociedade, seja pelo ensino excludente por falta de ações estatais, seja pela aprendizagem conteudista por parte das escolas. Em primeiro plano, é indubitável destacar que o Brasil apresenta um ensino elitizado pela falta de políticas públicas. Sob a perspectiva filosófica de São Tomás de Aquino, todo cidadão é digno da mesma importância, assim como dos mesmos direitos e deveres. Nesse viés, torna-se obrigação do Estado fornecer uma educação de qualidade a todos os indivíduos, o que não é feito efetivamente. Na realidade, escolas públicas apresentam falhas, como falta de funcionários e equipamentos e infraestruturas precárias, o que, paralelamente, as escolas particulares fornecem. Tal desigualdade foi evidenciada na sociedade durante a pandemia pelo surto do novo coronavírus, na qual estudantes de colégios pagos obtiveram ensino a distância, enquanto os de escola pública, em sua maioria, não possuíram essa oportunidade pela falta de recursos. Desse modo, é a substancial a mudança desse quadro de desigualdade. Outrossim, cabe salientar o ensino conteudista dado pelas instituições de ensino. Nessa perspectiva, o filósofo e pedagogo Paulo Freire criticava essa chamada “educação bancária”, na qual o professor é o detentor do conhecimento e o aluno um depositório, e defendia a “educação libertadora”, a qual parte da experiência do aluno e do que ele conhece. Entretanto, na era dos concursos, dos vestibulares e da valorização do ensino superior, tudo o que é dado em sala de aula tem apenas um objetivo: a aprovação. Dessa forma, discussões acerca dos direitos humanos, visitas a instituições e arrecadação de alimentos e roupas para os necessitados não estão na grade horária da maioria das escolas, e, sem elas, não se entende o valor das transformações sociais. Sendo assim, as instituições escolares atuam como agentes perpetuadores desse ensino focado apenas nas matérias. Infere-se, portanto, que medidas são necessárias para atenuar a aprendizagem desigual e conteudista diante do papel da escola como transformadora social. Logo, urge que o Governo Federal, na voz do Ministério da Educação, invista nas redes de ensino, mediante a uma maior aplicação de verbas. Esse dinheiro seria investido na infraestrutura dos colégios, no aumento do salário dos funcionários e na adição de novas atividades na grade horária, como visitas a instituições e debates acerca dos direitos humanos. Tal ação objetiva tornar a escola como um efetivo meio de mudanças na sociedade. Destarte, as escolares transformarão as vidas de seus alunos, assim como em “Escritores da Liberdade”.