O valor da educação nas transformações sociais no Brasil
Enviada em 31/07/2020
No filme “Sociedade dos Poetas Mortos” um professor de literatura, John Keating, subverte a pedagogia conservadora vigente na escola em que outrora fora aluno, ao estimular o pensamento crítico de seus discentes, contribuindo, assim, para a transformação deles enquanto cidadãos. No entanto, sua proposta inovadora foi desconsiderada pelos pais e pela própria Instituição de Ensino. Assim como retratado no longa, há ainda, empecilhos para a valorização da educação como instrumento de transformação social no Brasil, tendo em vista a manutenção do sistema rudimentar de ensino, que impossibilita a emancipação das pessoas mediante a educação. Nesse aspecto, faz-se necessário esforços para reverter esse panorama. Sob esse viés, destaca-se a incongruência de manter o modelo pedagógico tradicional em uma sociedade altamente influenciada pelas transformações tecnológicas. Acerca disso, o tom punitivo das provas, a concentração do saber no educador e a própria organização da sala de aula – o enfileiramento – são características que permeiam o universo escolar desde os modelos políticos conservadores e autoritários, como as ditaduras. Nesses contextos, a educação tinha objetivos políticos e econômicos, uma vez que, as características supracitadas simulavam o destino dos futuros militares ou operários. Ora, tendo em vista o cenário contemporâneo, no qual a internet acelerou o processo cognitivo das pessoas, por meio da acessibilidade de informações, é incoerente a continuação desses esquemas de ensino que retroagem o processo pedagógico e limitam o potencial criativo dos alunos, reclusos à sala de aula. Ademais, cabe ainda ressaltar a característica alienante desses modelos, bem como suas consequências para o desenvolvimento social do sujeito. Acerca disso, no célebre livro Eichmann em Jerusalém, a filósofa Hannah Arendt reitera a importância do pensamento consciente para a plena autonomia das pessoas, a fim de que possam protagonizar seus próprios juízos morais. Mediante essa ideia, padrões de ensino que não se adequam às especificidades de cada indivíduo e homogeneízam os juízos morais, cerceiam, segundo a autora, a liberdade dos discente de pensarem por conta própria. Depreende-se, portanto, a necessidade de medidas que subvertam a alienação e possibilitem a emancipação do ser pensante enquanto agente de transformação social. Para tanto, urge a articulação do Ministério e das Secretarias Municipais de Educação na elaboração de um projeto de lei entregue ao poder legislativo, propondo um novo modelo de ensino, que leve em consideração o ambiente moderno o qual os alunos estão inseridos. Essa proposta, será desenvolvida em paralelo a palestras municipais envolvendo a comunidade escolar - professores, alunos e responsáveis – a fim de, não só, democratizar informações acerca das mudanças pedagógicas de ensino, como a ampliação da participação dos discentes no processo cognitivo e das aulas extraclasses, mas também, transformar a mentalidade social no que tange a aquisição do saber. Dessa maneira, será possível a valorização da educação como agente de transformação coletivo.