O valor da educação nas transformações sociais no Brasil
Enviada em 27/07/2020
Machado de Assis, em sua Crônica Analfabetismo, faz fortes críticas à Constituição e ao modelo de cidadania do país no final do século XIX, no qual cidadãos eram apenas 30% da população que sabia ler, enquanto os outros 70% “não sabiam explicar nem porque estavam respirando”. Atualmente, a situação tem se alterado, a educação e a cidadania são direitos de todos, entretanto, isso não significa que existe um acesso igualitário a educação, nem que todos os indivíduos conhecem seus direitos. A partir dessa perspectiva, é interessante evidenciar a relação entre a educação e a consciência cidadã nas mudanças sociais do país e a problemática educacional brasileira.
Nesse contexto, o primeiro ponto que cabe ressaltar é a escola como a principal instituição social que estimula a produção de um senso crítico e cidadão, pois além de apresentar aos alunos os direitos e os problemas sociais com embasamento científico, faz o indivíduo refletir as causas, consequências e buscar respostas ou resoluções, por meio da pesquisa. Isso é evidenciado, por exemplo, quando Paulo Freire, patrono da pedagogia brasileira, afirma que não existe educação sem pesquisa, porque se trata de um sistema de retroalimentação, no qual se deve primeiro conhecer e depois discutir a temática. Ainda nesse aspecto, para o sociólogo Francês Émile Durkeim, a educação é uma forma de capacitar os homens para buscar a cidadania e bem estar geral, isso pode ser exemplificado nos movimentos sociais que surgiram após o conhecimento da comunidade sobre seus direitos e a busca pela igualdade, como no movimento negro e no feminista.
No entanto, o acesso à educação ainda é desigual no país, pois a falta de infraestrutra leva os alunos a uma formação deficiente e incompleta que interfere no processo de cidadania. Para comprovação, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, existe um crescimento contínuo do analfabetismo funcional do país que hoje atinge 38 milhões de brasileiros, ou seja, essas pessoas sabem ler e escrever, porém não estão aptos a fazer uma interpretação crítica de textos simples ou de muitos problemas sociais, demonstrando, dessa forma, o impacto da deficiência na formação educacional dos indivíduos e a relação com o processo de cidadania.
Torna-se evidente, portanto, que a educação tem importante função social, porém, ainda há grande deficiência educacional no país. Por isso, é necessário que o Ministério da Educação, Órgão do governo responsável pela manutenção dos direitos à educação no país, crie programas de investimento em infraestrutura escolar de forma a buscar a equidade na qualidade educacional em todo o país, por meio da análise dos “deficit” por estado e investimento compatível com os indíces e necessidades, para, dessa forma, todos tenham uma educação de qualidade e igualitária.